Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Preveja os imprevistos

Você tinha um dinheiro guardado para dar entrada no seu carro. Aí, seu pai adoece e precisa fazer uma cirurgia de urgência. Detalhe: ele não tem plano de saúde. Sendo assim, lá se vai sua suada poupança. Você reservou uma hora do dia, antes da aula, para terminar o trabalho da pós-graduação que precisa entregar hoje. E eis que chega uma visitinha para sua mãe que veio de longe, mas ela foi ao supermercado - e já volta – e esqueceu-se de te avisar que talvez você precisasse fazer sala.

Agora só te resta entregar um trabalho feito “nas coxas” e rezar. Você receberia hoje pela manhã um material para o evento que vai acontecer à noite. Só que aí o material não chega devido a um problema na transportadora. Prepara para o mico. Esses são apenas alguns exemplos de imprevistos que acontecem na nossa vida. Mas a pergunta que não quer calar é: esses ‘imprevistos’ não poderiam mesmo ser previstos? Ok, talvez não, já que você não é a Mãe Dináh, mas você poderia ser precavida e evitar ou sair dos sufocos muito mais facilmente se tivesse feito um planejamento.

Em algum artigo que li na internet, o autor disse sabiamente que não temos tempo para planejar direito, mas sempre arrumamos um tempinho para resolver os problemas gerados por essa falta de planejamento. Ou seja, havia sim tempo para planejar adequadamente e evitar o desgaste gerado pelos gaps. A pressa é inimiga da perfeição, já diz o ditado. Portanto, na ânsia de fazer rápido, um vacilo pode custar caro para uma empresa.
Vamos lá, falemos de imprevistos no mundo corporativo. Imagine que você tem uma meta de fazer 50 ligações por dia para tentar captar clientes interessados em comprar um lançamento imobiliário. Desses 50, nenhum deles resultou em venda. Isso porque 80% desse mailing não tinha potencial de compra ou interesse. Os outros 20% se dividiam entre pessoas que queriam casa e não apartamento, que procuram um imóvel em outra região, que precisam de um imóvel com duas vagas de garagem ou com uma infraestrutura mais simples.

Pois bem, qual a grande falha do gerente da equipe de vendas aqui? Falta de planejamento, oras. O turno teria sido muito mais produtivo se houvesse um planejamento estratégico que proporcionasse aos corretores um mailing mais aproximado do público-alvo ou outro método de venda inovador. Ou seja, vamos transformar 80% dos telefonemas em potenciais clientes e não o contrário. Sendo assim, teria sido muito mais inteligente gastar uma horinhas fazendo um planejamento do que sair ligando para qualquer número. Além de ser um método ultrapassado, é “queima-filme”, afinal, a imobiliária em questão ficará conhecida por ser inconveniente e os corretores terão que ouvir piadas do tipo “meu filho, eu nem tenho dinheiro para pagar o aluguel que divido com três ‘cuecas’, imagina para comprar um apartamento de alto padrão”. Ou seja, nesse caso é fácil prever que as ligações não serão eficazes, exceto por uma coincidência do destino.

Com o exemplo acima, quis mostrar que sim, tempo é dinheiro, mas correr contra o tempo de forma burra pode significar rasgar dinheiro também. O recado para os gestores já foi dado, mas agora você também deveria aproveitar esta lição. Nos casos que contei na abertura deste artigo, os imprevistos também poderiam ser previstos. Bastava que para isso seu pai tivesse feito um plano de saúde lá no começo ou que, ao menos, tivesse uma reserva voltada exclusivamente para sua saúde, afinal, todo mundo fica doente um dia, infelizmente. Sobre o trabalho de pós, era só não ter deixado para a última hora. Simples. Esta coluna que você está lendo deve ser entregue na quarta-feira, e hoje é segunda e estou escrevendo. E sabe por quê? Porque terça e quarta irei trabalhar à noite, ou seja, a possibilidade de não conseguir achar uma brecha para escrever é grande.

Nem sempre me previno, porque sou humana, mas sempre que lembro, me adianto. E quanto ao problema com a transportadora, nem preciso dizer que era só ter dado uma folga maior no cronograma e solicitar a entrega com pelo menos dois dias de antecedência, não é mesmo? Diante disso, quem falou em imprevistos por aqui mesmo? Acho melhor não pensar nessa desculpa mais. Pense nos riscos antes e pense também num plano de contingência para minimizar os danos caso não seja possível evitá-los. É tempo de correr na frente, com inteligência.