Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Quando o profissional e o pessoal são uma coisa só

Como você deve imaginar, uma das coisas que faço da vida é escrever. Quando criança eu já escrevia livros - em cadernos grandes de capa mole e sem espiral. Lembro de ter escrito um caderno todo, que li para a minha família e vizinhos, e depois sabe-se lá onde foi parar (infelizmente, porque seria um tesouro hoje). Depois, na adolescência, escrevi um princípio de livro no computador que eu dividia com meu irmão. Apaguei. Já era bem autocrítica na época. Até que escrevi um que não excluí, ao contrário, criei coragem e publiquei. Tudo isso em meio a postagens no blog, em sites, revistas e jornais como colaboradora antes de me formar. Enfim, resumi minha história com a escrita para explicar como tudo começou profissionalmente para mim.

Talvez você que está lendo isso não tenha o menor interesse em saber meus motivos para escrever, mas acredito que quando escolhemos uma profissão ela tem muito a ver com o que somos, portanto, talvez você entenda aqui o porquê de você ter escolhido ser administradora, psicóloga, publicitária, ou o que for. Por motivos óbvios, virei jornalista.

Escrever para mim é algo muito singular. Muitas vezes eu não tenho ideia sobre o que escrever e aí eu começo no automático e a história vai nascendo, brotando. É muito louco, quando vê uma história totalmente diferente do que imaginei surge. Aqui, por exemplo, comecei escrevendo com uma ideia e quando vi o texto criou vida própria e trilhou outro caminho. Sabe, para mim, escrever é um trabalho que exige cuidado, atenção, perfeccionismo. Claro que também é preciso criatividade aqui. Mas mais que tudo, é necessário carinho pelo texto. Tudo que é feito sem amor não é bem feito.                                                                                                                                                                           

O meu processo funciona da seguinte forma. Primeiro eu cuspo tudo que quero falar no texto, ou seja, meus dedos pulam de tecla em tecla freneticamente. Só depois que despejei todo meu arsenal de palavras é que volto a reler e começo a revisar e editar o texto cautelosamente. E essa parte demora muito mais do que escrever. Porque daí baixa a Sra. Perfeccionista que verifica se as frases estão se ligando corretamente, se os parágrafos foram separados da maneira mais adequada, se não há repetição de palavras ou redundância, se a pontuação está certa. Se, se e se, infinamente. E aí vou lapidando o texto tal qual um artista em seus retoques finais que nunca terminam. Deve ser por isso que irrita tanto os jornalistas quando alguém diz: “escreve um textinho aí pra mim”.

Comigo já aconteceram coisas como: escrever um e-mail de DR para o namorado de uma amiga como se fosse ela, escrever carta de amor pelos outros, escrever a monografia dos outros, fazer o trabalho de uma amiga que está sem tempo ou ideia, e até ajudar na legenda das postagens do Facebook e Instagram, acredita? E o pior: eu me presto. Às vezes dedicamos uma vida inteira para uma profissão (podendo ser inconscientemente) para depois ter que encarar umas pegadinhas como essa. Mas OK, levemos numa boa.                          

O que fica de todo esse meu amor pela escrita e, consequentemente, pela leitura é que a nossa profissão diz (ou ao menos deveria dizer) muito sobre nós. Tanto que às vezes nem sabemos separar o profissional do pessoal. E quando isso acontece, trabalhar não se torna tão trabalhoso, não é mesmo?