Cris escreve todas as sextas-feiras.
A realidade é uma ilusão

Ilusão, ponto de vista, água no deserto, chuva na seca, sol durante o ano todo na Rússia, noite trimestral em Recife, asfalto fumegante no inverno, quinze graus no verão em Porto Alegre.

Acreditar na ilusão pode ser perigoso. Perigoso, ainda, é crer na realidade perturbadora. Sonhar seria um devaneio? Realizar seria um transtorno? Onde está o fio da meada? Aqui ou acolá? No presente ou no futuro? No passado, talvez?

Busco respostas para tantas perguntas, mas será que elas realmente existem? Questiono o horário do almoço, do café da manhã e da janta. Questiono porque não me enquadro. Talvez, por ainda não ter filhos, dizem por aí que com eles horários são essenciais, ajudam no crescimento e na adaptação. Eu entendo, mas como não os tenho, posso me aventurar na descoberta de novos parâmetros.

Questiono o porquê do costume de descrever o céu nas histórias, ou na maioria delas, sempre na cor azul? Principalmente em livros infantis. Se o céu muda de cor, se ele se permite ser todas as cores, se ele transita pelo vermelho fogo, pelo amarelo, pelo lilás e até pelo rosa, se ele escurece na tempestade e revive no arco íris?

Será que desde cedo, os adultos querem impor às crianças paradigmas convencionados, distorcendo a realidade e as fazendo acreditar que apenas uma cor ou duas pode definir o humor de Deus?

Ilusão seria encontrar em algum protocolo engavetado a bula com a descrição de como agir e pensar e viver a vida que nos abraça todos os dias. Ilusão seria buscar fora, no outro, no google, no vizinho, o melhor “modus operandis” de levar a vida.

Questiono todas estas técnicas quadradas e inventadas para limitar o pensamento, porque acredito que muito mais a vida tem a oferecer. Acredito que eu tenho muito mais a oferecer para a vida.
Por que não juntar cachorro e gato na mesma casa? Por que se eu gosto de cachorro, não posso gostar de gato? Por que é tão difícil conviver com um ser tão independente como o gato e só ver razão real na fidelidade infinita do cachorro?

Não! Simplesmente não levo esse papo muito a sério. A liberdade de conviver com um ser independente vale a jornada. Aprendemos muito. Os cachorros são como as crianças nos primeiros anos de vida, os gatos são como os adultos. Claro, encontramos muitos adultos que insistem em manter o estilo de vida canino, optando por viver na zona de conforto, ou se boicotando, como queiram!

Eu respeito. Cada um leva a vida como quiser. Afinal, preciso ser independente das vontades alheias e me entregar às minhas próprias vontades. Gosto de respeitar o meu corpo, minha mente, minha alma, minha casa. Gosto da compreensão de me permitir e me permitindo consigo entender o mundo a minha volta. É maravilhoso!

Não me prendo às ilusões, mas me alimento delas. Elas despertam a criação, o sonho, a execução, a inovação. Elas me fazem ir mais longe dentro da realidade soberana do mundo, do meu mundo.

Estava aqui pensando, o dia que eu tiver filhos, posso até entrar no jogo das regras de horários, afinal, será inevitável, mas inevitável também, será a forma como eu vou descrever o céu, o sol e as estrelas para eles. Disso, eu tenho certeza, eles não serão nada quadrados, a não ser que queiram. Aí, eu respeito também.