Cris escreve todas as sextas-feiras.
Sacrifício é destituir o direito à liberdade

Após séculos de dor, sofrimento e angustia de um povo que foi arrancado de seus lares, de suas famílias, de sua terra. Após a imposição de um trabalho escravo, de uma nova religião, de uma vida sem futuro. Após a não liberdade deliberada e as tamanhas mazelas. Em pleno século XXI, ainda existem pessoas que insistem em levantar a bandeira do preconceito, da antipatia e da arrogância.

Não basta humilhar um povo inteiro, escravizar, matar, violentar. Ainda é preciso negar a ancestralidade. Romper com o ontem, construído com tanto amor por aqueles que deram origem a nossa existência no hoje. Levantar a bandeira do sacrifício de animais como sendo algo medieval. Rotular as religiões que praticam ritos sacros envolvendo animais, como bárbaros. Destruir os preceitos cristãos citados na Bíblia e no Alcorão.

Me entristece profundamente ver este despautério partindo daqueles a quem elegemos para cuidarem de nosso estado, de nossos interesses. Eleitos para promover o bem de todos, sem preconceito de origem, raça, sexo, cor, idade, ou quaisquer outras formas de discriminação, conforme está descrito na Constituição Brasileira, como sendo dever do Estado.

A ignorância do saber é o maior dos males, aos quais a humanidade sofre por suas próprias mãos. A beleza do conhecimento é capaz de elevar os povos ao grau máximo de união. Este é o ponto. Conhecimento. Como é possível julgar ritos religiosos, que fazem parte da história e da gênese de um povo. Como negar que nas Escrituras Sagradas, o sacrifício não é visto como ato decrueldade.

Fica a pergunta: Medieval não seria o abate de animais para encher as geladeiras dos supermercados e as churrasqueiras de domingo?

O respeito deve contemplar toda a fé. Seja ela qual for. Este é o respeito por si mesmo e pelo próximo. Este é o amor que tanto foi nos ensinado por Jesus. Esta é a semente plantada nesta terra, que encontra-se em tempo de colheita.

Ecologistas. É importante sim, preocupar-se com nosso meio-ambiente. Vivemos dele. Sem ele, morreríamos. Mas é importante também, ter parcimônia. Ir de encontro a objetivos que realmente farão a diferença no ecossistema. Não são os ritos responsáveis pelas mudanças climáticas e nem pela extinção de algumas espécies. Inclusive, o uso de plástico e papel nas ruas já foi banido pelos praticantes das religiões de matriz-africana, visando o bem-estar coletivo.

Vivemos num estado-laico de direito e o respeito às diferentes religiões que participam da nossa nação, é o primeiro passo para que possamos permanecer nesta democracia que conquistamos. Para que possamos exercer nossa fé com total liberdade, sem ferir o outro, mas aceitando e compreendendo que cada um de nós faz parte deste todo e que todos são importantes neste processo. Somos todos diferentes, mas antes de tudo, somos todos humanos.

Na próxima terça, será votado o Projeto de Lei 21, da Deputada Regina Becker, que proíbe o pratica dos ritos das religiões de Matriz Africana. Deixo aqui a minha indignação por este PL, que vai diretamente contra a nossa Constituição e a nossa liberdade.