Cris escreve todas as sextas-feiras.
Quando tu sai de férias, tu sai, mesmo, de férias?

Essa pergunta me deixou com um ponto de interrogação. Como assim? Quando eu saio de férias, eu faço as minhas malas e ces’t la vie, vou viver a vida sem os compromissos diários, sem rotina. Não gosto nem de saber as notícias, principalmente as de corrupção e violência. Quando eu saio, eu saio, ora bolas. Mas a pessoa insistiu: tu sai mesmo? Eu, já sem jeito, perguntei: como assim cara pálida? Não estou entendendo.

A explicação foi cabível: é que sair de férias “mesmo” significa que tu não entra nas redes sociais para ficar olhando e nem postando. Tu desliga “mesmo". Desliga do mundo. Fica off. Comecei a rir, a vida moderna tem dessas coisas e o mais engraçado, é que ela tem toda a razão. Às vezes me vejo escrava das redes sociais. A gente dá uma entradinha e fica lá, por uma meia hora ou mais. É impressionante. Eu, ainda, uso para trabalhar, alimento minha página profissional, busco inspirações para meus textos, porque, bem ou mal, o cotidiano também acontece ali. Ele pode até ser rebuscado ou depreciativo, mas está ali, a olhos nus, para quem quiser ver.

Confesso que há um tempo, eu era bem mais assídua. Hoje em dia, já não consigo mais. A vida exige, eu obedeço.

E nessa onda do vício, o que vou falar agora, não é nenhuma novidade. Quem já não viu casais, amigos, famílias inteiras, numa mesa de restaurante e cada um com seu telefone na mão, falando por Whatsapp, dando uma conferida no Facebook ou postando fotos no Instagram?  Será que eles estão conversando entre eles pelo celular?

Quem, ao deitar, não dá aquela última conferida nas novidades do Facebook, ao invés de ler algumas páginas de um livro? Quem já não passou uma hora inteira no conectado, sem se dar conta. e ainda achando que tinham passado somente quinze minutos?

Quem não tem um amigo ou amiga que posta tudo que come, o café da manhã, o almoço, o lanche da tarde e o jantar? Ou aqueles que adoram se vitimizar, chorando as pitangas de um relacionamento que não deu certo, ou falando mal do ex ou da ex? Noutras vezes, o contrário, quem já não se deparou com a vida perfeita que só o Facebook conhece? Porque a vida real, meus amigos, é perfeita também, mas perfeita nos aprendizados, nos sins e nos nãos. Nas frustrações e nas belas expectativas alcançadas. Na harmonia e na derrota.

Já me peguei, antes de uma viagem, prometendo que ia desligar de tudo, inclusive do celular. Mas confesso, sem medo, que até diminuo e não fico zapeando, mas que eu posto, eu posto. Uma vista linda, uma comida de dar água na boca, o meu amor, os meus amigos. Ah! Nem tão ao céu, nem tão a terra. Como diria a Dra. Lorca, para quem lembra, se der vontade, pode! Só não pode, abusar, pois nesse caso, perdemos a história, as nuances, os detalhes, perdemos de participar da cena, para mostrá-la a Deus sabe quem.