Aldrey escreve a cada 15 dias, sempre nas quartas-feiras.
Onde está minha segurança? - Parte I

Você já foi em uma Delegacia de Polícia? Se a resposta for não, fico feliz por você e saiba que no momento você é praticamente uma minoria que não entrou para a estatística da Segurança Pública em nosso Estado. Mas tenho certeza que você tem um parente ou amigo que já virou um número.

Quando/Se você for em uma Delegacia vai perceber que a maioria das pessoas estão registrando ocorrências de roubo ou furto. Nossa realidade: se você estiver caminhando ou na parada de ônibus corre o risco de ser assaltada por alguém que irá lhe abordar, esta pessoa estará a pé ou de moto (na maioria das vezes), se você estiver dentro do ônibus corre o risco de sofrer o famoso “arrastão”, já se você escolher a lotação, também tem o risco de no meio do caminho um “passageiro” levantar e “pedir” de forma agressiva o seu celular. Mas se você preferir andar com seu carro, saiba que o número de roubos de veículos aumentou bastante. Ahhhh mas tem a bicicleta! Posso ir de bicicleta ao trabalho, saiba que nem a bicicleta escapou dos assaltos!

Comece a colocar a aba “segurança” na sua planilha financeira.

Mas agora vem o pior! As pessoas, apesar de indignadas, estão se acostumando com isso e falar que já foi assaltada duas vezes e que da última vez foi tranquilo, até parece uma conversa de roda de chimarrão.

Chamar a polícia? A polícia faz o que pode com o pouco de amor a camiseta que ainda lhe restou, pois, dignidade, essa sumiu há muito tempo. A polícia não tem estrutura física para trabalhar, não tem acompanhamento psicológico e a falta de pessoal é enorme. O psicológico é abalado diariamente diante das barbáries que ouve, vê e sente. Se arrisca para prender um bandido e ele é solto logo depois, sofre ameaças de morte dos traficantes e não tem como proteger sua própria família, ao tentar ajudar a sociedade que clama por atenção sente na pele a inversão dos valores, precisa escolher qual ocorrência vai atender pois são tantas e tão poucas viaturas que ainda tem condições e gasolina para andar que não dá para abraçar nem metade do bairro de sua competência.

E como fica a minha segurança? Veja bem, ela não fica! Primeiro que precisamos trabalhar ainda mais para pagar todos os impostos do Governo (apesar de não termos a contrapartida) e o que sobrar das prioridades para viver.... Precisaremos gastar cada vez mais com a nossa segurança. Hoje precisamos ter seguro do carro, da casa, do celular e da bicicleta. Precisamos também de câmeras de monitoramento no prédio do trabalho e dentro da nossa casa. Precisamos pagar portarias de 24h e ter cautela com entregas.

Precisamos fazer aula de defesa pessoal ou de tiro e ter infinitas sessões com psicólogo para tentar se recuperar de um trauma de roubo ou para aprender a lidar com a síndrome do pânico.

Precisamos é ter vergonha na cara e saber como cobrar de qualquer um que tenha o poder de legislar e organizar essa bagunça. Precisamos parar de ser hipócritas, pois os mesmos que reclamam são os mesmos que invertem os valores. Menos inversão de valores e mais coerência e bom senso por favor. E, por falar em inversão de valores, uma vez uma “criança” de 12 anos me ameaçou de morte, a “ficha criminal” dela? Ah vocês nem imaginam o tamanho e nem queiram pensar nos crimes que ela já cometeu. A tia da criança que estava presente ainda ficou furiosa comigo pois eu, com o absurdo que escutei a xinguei.

E dessa forma penso: “Onde está minha segurança? E quanto mais precisarei pagar para minimizar os riscos de virar um número em uma estatística?”