Cris escreve todas as sextas-feiras.
A separação e os filhos

O ser humano pode ser muito cruel. Isso é fato. Mas uma mãe e um pai serem cruéis com seus filhos é o ápice. Ouso dizer que é doença e das mais graves. Gerar uma vida é um milagre, uma benção, é divino. É o momento em que nos conectamos com as mais altas energias do universo, com Deus. É o amor se materializando em nossa frente, em nossas vidas.

Têm pais que amam desde a barriga, outros realizam esse amor ao ver a carinha de seus filhos. Mas ele está ali, acontece e pronto, da forma mais natural possível. Sem julgamentos.

O que me entristece é perceber como todo esse milagre pode virar nada durante uma separação. Quando um casal resolve separar as escovas de dentes, seja pelo motivo que for, precisa ficar claro que a separação é entre eles e que os filhos não devem ser afetados além do que já são nesse momento: na convivência.

Falar mal do outro, expor às cegueiras aos filhos, desajustar, criar monstros e situações, infiltrar a culpa, fingir, mentir, são atitudes baixas demais. Por que é tão difícil perceber que tudo isso prejudica tão somente a criança? O objetivo é atingir o pai ou a mãe, mas quem paga o pato é o filho, que dependendo da idade, precisa simplesmente de carinho e aconchego.

Como pode uma mãe ou um pai, que vivem o milagre, colocar tudo a perder?
Pessoas controladoras têm essa tendência. Se a banda não toca como preveem, colocam as garras de fora e não importa mais nada, até a inocência dos filhos entra em jogo.

Por que, afinal de contas, uma mãe resolve que o pai, ou vice-versa, não pode conviver com o filho? Se nada nele(a) o(a) desabona. Por birra? Doença? Diversão? Vingança?

Alimentar a não convivência com a família paterna ou materna, usando o filho como trofeu e bengala, ameaçando o bom desenvolvimento da criança, privando-a daquilo que ela tem de mais precioso: a oportunidade de conhecer suas origens e a partir dai, fazer suas escolhas, é revoltante.

Atitudes como armar premeditadamente cenas para incrustar a culpa na cabeça de uma criança e implantar falsas memórias geram violência psicológica e grave alienação parental. Pessoas manipuladoras costumam agir assim e para completar, nesses casos, o dialogo não existe, apenas o monólogo.

O que dá alento é que mais cedo ou mais tarde, as máscaras caem e caem para todos.
Que os pais que passam por essa provação por terem feito escolhas erradas no passado, tenham força, paciência e fé para nunca desistirem dos filhos, diante de tantos obstáculos. E que a justiça brasileira realmente olhe para a criança, para o que é melhor para ela, pois infelizmente, ainda nos dias de hoje, basta ser mãe para ocupar um espaço privilegiado nas decisões judiciais, mesmo que elas não estejam fazendo um bom trabalho com seus filhos.

A justiça ainda nivela a maternidade, como se todas fossem ótimas mães. Por outro lado, pais que abusam do direito da paternidade também devem ser colocados à prova.

O que fica de positivo, é que atualmente, podemos observar uma grande quantidade de pais querendo exercer a paternidade, participando e lutando para estar perto dos filhos, com todo o amor do mundo.

O que deve valer em qualquer tempo é o bem estar da criança. Pais e mães problemáticos que procurem ajuda e deem o braço a torcer. Que olhem para seus filhos, independente do juiz e saibam fazer as escolhas certas, deixando o ego de lado, as mágoas e trazendo paz para vida deles. Pois assim e só assim,  conseguiram trazer essa mesma paz para suas vidas, com o alento e alivio de que precisam. Afinal, a vida é sim, espelho.