Cris escreve todas as sextas-feiras.
O futuro de presente

Olho para aquelas bolitas azuis brilhantes e vejo o amanhã. Os olhos de meu filho são atentos, desde os primeiros minutos de vida. Parece que ele já nasceu curioso, querendo entender e desbravar esse mundo aqui. Ou será que está, desde então, reconhecendo aromas e pessoas?

Antes de mais nada, vale acrescentar que nossos filhos são espíritos, imortais e já podemos contar alguns séculos juntos, com os mais diversos parentescos. Para os que acreditam, tudo certo. Para os que não acreditam, sem problemas, cada um vive de acordo com a realidade que crê e nem por isso nos tornamos melhores ou piores, somente diferentes, o que de fato, é um enorme ganho para a sociedade.

À parte com minhas divagações e retornando ao brilho dos olhos de meu filho, vejo o amanhã. Olho para o agora, vivo o agora, mas fixo-me ao mesmo tempo no que virá, no futuro.

Talvez pelo fato do hoje estar tão conturbado, tão cheio de caos, de 'mimimi', de  sentimentos reles, que nos afundam sem nem percebermos ou sabermos o por quê.
Sinto uma necessidade imensa de organizar a casa para recebê-lo quando ele crescer. Essa casa linda que chamamos de Brasil. Gigante pela própria natureza. Que mesmo com toda a roubalheira desde os tempos de Cabral, ainda guarda riquezas mil. Terra fértil. Pátria mãe gentil.

Quero entregar tudo no melhor estado possível, sem sujeiras de baixo dos tapetes, sem chicletes em baixo das mesas, sem lixo nas ruas, nos bueiros, nos rios, mares. Sem lixo nos corações.

Comparo esse momento com o preparo do quartinho do bebê e de todo nosso lar para a sua chegada. Sinto a necessidade de ampliar esse cuidado para fora das paredes que nos delimitam. E se possível, tirar as grades que nos 'protegem'.

Mas como agir diante de tantas ondas negativas que pairam sobre nossas cabeças, como agir diante do desânimo e até do ódio que vem brotando das mentes de nosso povo, um povo conhecido por sua alegria no mundo todo?

Posso começar dentro da minha própria casa, com minha família. Posso começar com meus vizinhos de porta, meus amigos. Posso começar com aquele estranho que cruza o meu caminho nas ruas. Posso começar com as redes sociais, por quê não? Posso começar escrevendo sobre o assunto e fazer você pensar um pouco nisso também. Posso começar espalhando amor, abraços, sorrisos. Mas também sendo firme, direta, lutando contra aqueles que insistem em nos roubar a paz.

Afinal, amor não é só aconchego, exige de nós atitudes sérias. Exige clareza e discernimento. Exige foco, força e coragem para enfrentar os dragões diários do egoísmo e do orgulho. Exige acima de tudo, paz no coração e segurança no agir. Pois muito além da ação em si, a energia que vibra é o que determina todo o resto.

Tem uma frase, de um autor que não me recordo agora e que diz o seguinte: “A boca fala do que está cheio o coração”. Então, para que o amanhã seja doce, precisamos plantar o hoje com toda a harmonia possível. Não temos mais tempo a perder. Somos responsáveis por entregar um mundo melhor para essa nova geração que está chegando e precisamos começar já.