Cris escreve todas as sextas-feiras.
Quando me tornei mãe me dei conta… (Parte 01)

Quando me tornei mãe me dei conta de algumas coisas acerca desse tal amor que dizem ser incondicional. No dicionário incondicional significa que não há restrições, não esta sujeito a condições, é um estado absoluto, total, pleno, ilimitado.

Então tá, tudo certo?! Mas será que todo o amor de mãe é incondicional? Ou somos meio egoístas mesmo? Sei que vou tocar em algumas feridas, o que é extremamente necessário para essa liberação do ego, que tanto nos puxa pra baixo.

Vou começar pela amamentação que é um ato sim, de total abnegação. Meu pitoco tem quase 6 meses de vida e posso dizer que aqui a regra das 3 horas não funcionam. Ele mama às vezes em espaços maiores que 3 horas e às vezes em espaços menores. Então a livre demanda se aplica incondicionalmente. Se por acaso não posso estar com ele, tiro leite, armazeno e pronto. Não deixo ele na mão.

Até aí tudo bem.

Mas, ao longo dos dias, dos meses, com todas as demandas que uma criança necessita, as demais interrogações que permeiam o incondicional começam a bater forte. Muitas mães acreditam que abrir mão de si em prol do filho condiz com o tal amor incondicional, a meu ver isso é mais uma bengala, uma desculpa, (salvo os casos de crianças doentes e que necessitam integralmente dos pais por perto) porque os os filhos crescem, isso é fato. E aí, como fica? Essa mãe vai passar a vida toda cobrando do filho que fez tudo por ele e não o deixando voar? Seguir seu rumo?

Incondicional a meu ver é abrir mão do ego, não de si. Abrir mão das nossas próprias travas, que estão incrustadas desde muitas gerações e tão profundas, que nem nos damos conta que as repetimos. E quando percebemos, acabamos repetindo igual, porque são raízes difíceis de ser arrancadas.

Para deixar claro, acredito ser maravilhoso para um filho e para uma mãe, que ela realmente passe os primeiros anos de vida bem perto dele, principalmente se a família tiver condições para isso (o que não significa esquecer-se dela enquanto mulher). E nesse tempo, que ela estimule na criança o quanto ela é especial. Pois é exatamente nesse tempo, onde a autoestima está sendo construída, que a criança precisa saber que é amada pelos pais, pelos avós, pelos tios, pelos primos. por todos que a rodeiam.

Porque destruir a autoestima de uma criança é fácil, mas cuidar do espaço dela e fazê-la se sentir especial, sem passar por cima de tudo aquilo que pode não ser importante pra gente, mas é para ela, pode ser bem difícil.

Na maioria das famílias essa fórmula é desconhecida e precisamos, nesse caso, abrir mão sim, mas das nossas âncoras e reformular pedaços da nossa história, para ajudar a construir um ambiente de amor para esse ser que está começando a vida. Saber orientar, impor limites e regras é tarefa árdua, precisamos nos empenhar para fazer as coisas do jeito certo, não podemos esquecer que já fomos crianças.

Chamar a atenção em público, sem respeitar o tempo da criança. Dizer frases batidas, como: “Que feio isso que tu fez”; “Tu só faz bobagens”; “Nada que tu faz dá certo”; “Tu não consegue, deixa que eu faço”; “Deixa de ser besta”; “Como tu é chato”; “Olha que tu tá fazendo comigo”; “Empresta teu brinquedo pro teu irmão, ele é menor que tu”… E tantas outras, é andar na contramão. Até mesmo responder pelos filhos, sem deixar que eles tenham voz perante os outros, afinal, nós pais e mães sabemos tudo, não é mesmo?

Só que com o tempo, realmente, a criança vai achar que não consegue, que não tem capacidade, que nada dá certo para ela e vai se tornando um adulto com uma série de problemas. Sem confiança em si e nas suas qualidades, achando que o destino dela não é lutar pelos sonhos e sim, viver numa caixa, uma vida medíocre, dia após dia, sem acreditar no amanhã.

Então, muito cuidado com tudo aquilo que plantamos, pois não adianta plantar ervas daninhas e esperar colher girassóis. Se elas são a força motriz para mudar o mundo, nós somos as engrenagens que precisam de óleo urgente, para fazer com que essa força ganhe prumo, velocidade e tempo.

Nota do autor: Tudo aquilo que escrevo é para organizar minhas próprias ideias acerca da minha relação com meu filho e tudo que observo acontecer ao meu redor, com anotações sobre a minha própria história.