Cris escreve todas as sextas-feiras.
Quando me tornei mãe, me dei conta… (Parte 02)

Para não me alongar demais e jogar muita informação de uma só vez para você, leitor, volto aqui hoje com a parte dois do texto onde debulho-me e dou conta das tantas coisas que somente a tal maternidade é capaz de despertar.

Para relembrar, venho questionar o amor incondicional e tentar entender em que momentos ele realmente se vale e em que momentos nosso egoísmo dirige nossos passos.

Uma mãe dá a vida por seu filho. Em situações de extremo perigo a decisão imediata é pela vida dele. Esse é o mais alto grau do incondicional. Mas e que tal trazermos esse desprendimento todo para o dia a dia? Por que demonstrar esse amor puro somente na hora do “vamos ver”?

Partindo para atitudes mais simples, como por exemplo o convívio dos nossos filhos com os avós, tios, primos. Infelizmente, acabamos por ver e ouvir muitas mães que por não conseguirem ficar longe dos filhos acabam os privando dessa convivência que só faz bem para o desenvolvimento da criança, que sai um pouco da asa da mãe para descobrir que existe muito mais mundo por aí.

E desculpem-me alguns, mas isso é super positivo para os nossos filhos. Eles começam a aprender a lidar com as pessoas desde cedo, não se tornando crianças avessas a tudo e todos.

Claro, não podemos esquecer a personalidade da criança, mas somos responsáveis por abrir seus horizontes e não limitá-los, ajudando inclusive a moldar essa personalidade. É nosso dever e direito deles. Outro claro que não pode faltar é que isso não significa que devemos nos eximir das nossas responsabilidades em salvaguardar nossos pequenos, pois esse mundão aí fora não tá moleza.

Saber orientar não é fácil, mas deve ser acima de tudo, natural. A relação de confiança deve ser completa. E nesse entremeio acabamos pecando de diversas formas, pois como estamos acostumados a nos boicotar (alguns já vencendo esses traumas) acabamos por transferir essa culpa para nossos pequenos e inconscientemente vamos repetindo as falhas que devem ser extintas urgente do nosso meio e da sociedade como um todo.

Como é difícil passar por essa transformação, afinal a culpa nos corrompe diariamente. E os pais tem uma forma peculiar de apertar o gatilho desse sentimento que só traz atraso para a vida de todos. Estou simplesmente fazendo uma constatação e buscando dentro de mim as forças necessárias para encarar essa mudança. Olhando para os lados, aprendo com quem sabe fazer as coisas do jeito que considero certo.

Desde pequenos, somos condicionados a achar que os pais tem sempre razão. Não pela experiência de vida, mas porque são nossos pais. E nos esquecemos que eles são seres imperfeitos, tanto quanto nós e nem tudo que eles dizem é verdade absoluta. Essa condição que se apodera de nossos pensamentos se dá lá na primeira infância com o famoso “eu avisei que tu ia cair”; “eu avisei que tu ia te machucar”… Acabamos a partir disso achando que eles têm sempre razão, mesmo quando não têm. Se algo sai fora do lugar quando somos adultos, a gente pensa "bem que meus pais avisaram”. Só que isso pode ser uma falácia. De um lado eles podem falar a partir das experiências deles, mas nem sempre eles têm razão.

Para esclarecer, não estou meu opondo a sabedoria da experiência adquirida com a idade, acredito piamente nela, dou ouvidos aos que viveram mais e até aos que viveram menos e trazem consigo experiências que somam na minha vida. Aqui só coloco em pauta uma coisa, idade não quer dizer sapiência, nem todos aproveitam a vida para vivê-la de verdade e sorvê-la com tudo que se tem direito. Alguns somente passeiam por ela e nada tem a acrescentar.

E é nesse ponto que a coisa pega. Meu objetivo é construir atém da relação de mãe e filho com meu pequeno, uma relação de amizade e aprendizado mútuo. De respeito e liberdade. Ele me respeitando e eu respeitando ele, seu espaço, sua vida, suas escolhas. Apoiando, orientando e até brigando, porque faz parte. Ensinando acima de tudo que estamos nessa juntos, com papéis definidos nessa parte da história, mas que o amanhã é plantando no hoje, são páginas em branco de uma vida que começa agora. Quanto mais resolvermos essas questões no hoje, mais livre será o nosso amanhã.