Cris escreve todas as sextas-feiras.
Tragédia humana

Os últimos quinze dias foram intensos. Duas grandes tragédias figuraram nossas vidas, ambas pelas mãos dos homens. Quando será que o ser humano vai entender o que é ser humano?

Segundo o dicionário Michaelis, humano significa bondoso, compassivo, caridoso. É uma palavra usada quando queremos designar algo bom em alguém. Por outro lado, como diz respeito ao gênero do homem, podemos dissertar sobre suas fraquezas, por quê não? O homem é feito disso tudo e só se difere dos demais animais pela razão.

Mas vamos lá, uma das maiores catástrofes ambientais do nosso continente, se deu pelo descaso daqueles que conduzem a mineradora Samarco, responsável pela barragem que se rompeu em Mariana. Descaso também, por parte dos governantes, que de um jeito ou de outro, não contribuíram com a fiscalização necessária.

O resultado? Um mar de lama que invadiu os distritos de Bento Rodrigues, Águas Claras, Ponte do Gama, Paracatu, Pedras e Barra Longa. Um mar de lama que matou o Rio Doce, principal rio de Minas Gerais, que até a poucos dias estava sem vida alguma.

Além de deixar esses locais e alguns mais do entorno sem água, este rio caminha para o mar. E hoje, nesta sexta-feira, a lama chega ao litoral Capixaba, onde acontece o encontro das correntes frias que vem do Sul e as correntes mais quentes que vem do norte, responsáveis pela alimentação marinha do Rio de Janeiro e da Bahia. Detalhe, essa lama toda é tóxica, com dejetos de ferro e mercúrio. Os danos são imprevisíveis. É preciso ficar alerta. Não podemos fechar os olhos para isso.

A outra tragédia se deu pelo fanatismo de um grupo que usa a religião para justificar seus atos. O que eles querem é poder e território. Querem impor sua vontade com violência e matança. Chegando silenciosamente, causando dor e sofrimento e depois assumindo a responsabilidade de seus atos.

Os terroristas agem assim, eles não estão nem aí para nada, estão fechados para qualquer bandeira de paz e bondade, não se comovem nem com o sorriso de uma criança. E em poucos minutos, na última sexta-feira 13, apagaram as luzes de Paris, chocaram o mundo e instauraram o pânico com a morte de mais de 150 pessoas.

Em meio a isso tudo, com o luto e a revolta em nossos corações, o que ainda choca é como as pessoas decidem eleger qual tragédia é mais importante, travando verdadeiras brigas nas redes sociais. Com insultos e tudo mais.

Vamos ficar atentos a nós mesmos?

Uma humanidade que se compadece, não pode usar a palavra como arma. Não é porque alguns levantaram a bandeira da França, que fecharam os olhos para a lama de Mariana. Precisamos ter voz e também respeito pela voz do outro. Quando agimos assim, acabamos nos igualando a toda essa sujeira. Afinal de contas, a boca fala do que está cheio o coração.

Precisamos estar atentos a tudo e principalmente a nós mesmos ou, como disse Mahatma Gandhi, como seremos a mudança que queremos para o mundo?