Cris escreve todas as sextas-feiras.
Velhos ditados estão fora de moda

Você já ouviu aquele ditado: “Quem ri demais na sexta, chora no sábado” - o dia da semana não importa, o que importa é que se você estiver muito feliz num dia, no próximo será abatido pela tristeza.

Essa frase é coisa antiga, da época da minha avó e eu cansei de ouví-la ao longo da vida. Em algumas vezes, constatei que ela era premonitória, em outras, o clima continuou de harmonia. Com o tempo comecei a achar uma grande bobagem esse prelúdio em relação a existência.

Até porque tem fortes tendências castratórias, como se a felicidade fosse de fato pecado. E embutido aí, estão todos aqueles tabus que fomos vencendo no decorrer dos anos. Mas é fato também, que precisamos vencer muito mais.

Este é um ditado que inibe o sorriso através do medo.

Prepare-se! Se tudo está dando certo vem bomba por aí. Nesta caso, podemos nos apoiar naquele outro, que utiliza um animalzinho simpático para se promover: a vaca - aliás, brincadeiras à parte, a vaca anda em baixa, desde que o mundo começou a condenar a lactose.

Mas voltando ao assunto, quem já não ouviu falar nas tais vacas gordas e vacas magras, que depois da tempestade vem a bonança e assim por diante? Esse caso é típico e nada tem a ver com o fato de que as catástrofes são proeminentes.

Simplesmente é uma constatação de que tudo na vida vem em ciclos, conforme a natureza ensina.

O modo como lidamos com esses ciclos é que vai delinear o nosso humor. Porque as perdas vão existir. A eternidade não pertence a este mundo, aqui é tudo efêmero e passageiro.

Então não venham dizer que eu não posso ser feliz. Não rotulem a vida com altos e baixos diários. Os ciclos podem manter a freqüência, os acontecimentos podem não nos atingir como um soco no estômago. Podemos sim, decidir como nos sentiremos diante de tudo. Ou não podemos?

A escolha é nossa. Sempre será nossa. Não estaremos sempre bem, momentos difíceis fazem parte, servem de escola. Mas mesmo assim, eu ainda posso escolher, se aprendo a lição ou se me entrego aos emaranhados da depressão e me fecho em mim, nas minhas dores e dissabores, cultivando a mesquinhez e o egoísmo.

Ego atrapalha, nos transforma em "umbigos do mundo”, nos torna os "donos da razão”. Muito cuidado! Ego não traz felicidade, só atrapalha, é pura ilusão.

Também não quer dizer que existe regra. E eu admito, chorar também faz bem, alivia, limpa, abre caminho, como se o choro derramasse todas as angústias e fizesse transbordar uma certa paz. E como a vida não para, logo nos livramos dele e seguimos em frente, ou pelo menos deveríamos seguir.

Agora, vou aproveitar este espaço e fazer um apelo. Por favor! Vamos pensar antes dar voz a certos ditados e de alguma forma sustentar a permanência dessas crenças que atrasam a vida. Possibilidades é do que precisamos. O resto é mera fugacidade. As novas gerações precisam de impulso, motivação, orientação e até limite, o que elas não precisam, é de castração.