Cris escreve todas as sextas-feiras.
Viver é melhor que sonhar

Muitas são as nuances de um relacionamento. Só vivendo o dia a dia conseguimos perceber se vale lutar e bater pé por algumas coisas ou não. Isso se aplica a qualquer tipo de relação, pais e filhos, amigos, irmãos, casais… Basta um bom tempo de convívio para que apareçam fatos ou achismos com o poder de fazer a receita do bolo desandar. É preciso estar atento.

Tem aquela famosa frase, não lembro o autor: “é melhor ser feliz, a ter razão”. E é mesmo. Sem pestanejar. Tentar colocar goela abaixo aquilo que queremos, mesmo quando sabemos que é o melhor a se fazer, pode piorar as coisas, afinal, já diz o ditado que dois bicudos não se beijam.

Outra máxima é a capacidade que temos de, à distância, criar em nossas mentes acontecimentos ideias com o parceiro, com os amigos ou com a família, e quando chega a hora de estarmos juntos, um simples olhar coloca tudo a perder e a qualidade do tempo juntos, só cai, ao contrário dos juros.

Nós, seres humanos, homens e mulheres, de todas as raças, religiões e culturas, sofremos de expectativa aguda. Somos idealizadores. A palavra é bonita, mas a forma como levantamos a bandeira é cruel. Criamos o cenário perfeito, decidimos pelo outro tudo que ele vai pensar, nos antecipamos aos quereres alheios e montamos palco, só que não.

Não, meus amigos, não podemos ter a pretensão de decidir pelo outro. Somos a soma de nós mesmos, de nossas origens, de nossa vida. O outro tem equação própria. É preciso cair na real. Como dizia o meu saudoso pai: “Ca um, ca um”, traduzindo a brincadeira de palavras, “cada um, cada um”, e ponto.

Eu já tomei a minha decisão, irei fazer de tudo para tornar cada momento com quem me rodeia, especial. Não importa o que aconteça. Eu escolho publicamente a qualidade em prol da felicidade.

Tudo bem, isso não significa que todos concordaremos o tempo todo, ainda bem! Mas significa que o respeito pela opinião do outro será fundamental. Inclusive, podemos sair com grandes lições e todos ganham.

Simples, quando chegar em casa, ao invés de reclamar o que o outro fez ou deixou de fazer, pula de fase, vai direto para o grand finale, qualifica, faz valer, não reclama tanto, pois temos a tendência ao afastamento de quem carrega aquela nuvem preta sobre a cabeça. Sorria mais, brinda e depois numa boa, com os ânimos acomodados, conversa sobre o que te apoquenta, mas ouve também, aprende a ouvir, use mais a palavra "nós", deixe um pouco de lado os “eus”, egoísmo costuma ser destrutivo, enquanto agregar, costuma dar bons frutos.

Até que vai chegar o dia que toda essa conta virará hábito e a qualidade do tempo que temos, junto com os nossos, superará, e muito, a quantidade. Afinal, “viver é melhor que sonhar” ou você ainda dúvida?