Caroline escreve mensalmente, sempre nas terças-feiras.
Quem você é sem emprego?

 

Vivemos momentos desafiantes, o momento do pleno emprego, não é mais uma realidade, a taxa de desemprego, a maior já registrada desde de 2012, só cresce em uma ascendente de dar medo.

Nesse cenário uma nova crise aparece com muita força, a de identidade. Nos acostumamos a existirmos e sermos reconhecidos através da atividade laboral que executamos, a final ela cumpre três funções igualmente importantes, a função social, econômica e de significado. Onde a união, desta ultima função, com a identidade pessoal são responsáveis pelo sentimento de realização na vida profissional.

Veja que grifei a palavra identidade pessoal, pois o que deixou de existir momentaneamente, foi a sua identidade profissional. Você não existe a partir do trabalho e sim o contrário e por mais simples que seja essa constatação ela não é consciente a maioria das pessoas. Diante da falta do emprego o que vejo é que a identidade também vai pelo ralo.

Todos queremos pertencer a uma tribo e suas classificações, a dos engenheiros da Melnick, a dos publicitários, da Paim, a dos médicos do Moinhos de Vento, porque é melhor ter a sensação de pertencer do que ser alguém cuja referência e identidade não são notadas. É difícil olhar para si e estabelecer uma visão realista de si mesmo assumindo erros e acertos por isso torna-se mais fácil buscar referência no externo, na vida profissional, relacionando quem somos as nossas experiências profissionais e conhecimentos adquiridos, porém isso apenas cria uma auto-imagem distorcida e um ego inflado que influencia negativamente o seu comportamento e a evolução na carreira.

A carreira do sec. XXI será proteana e sem limites, ou seja, dirigida pelas pessoas não pelas organizações e formada por uma série de experiências e aprendizados que integram todas as dimensões do individuo apresentando um caráter mais dinâmico e sistêmico onde você é que precisa reconhecer o seu valor independente da profissão, cargo, empresa ou currículo e diante disso o principal objetivo passou a ser o sucesso psicológico da pessoa e não apenas o que a sociedade julga como êxito.

Uma nova experiência se delineia. A busca pela recolocação exige um resgate da própria identidade sendo algo profundo, exigindo coragem e poder pessoal para transformar-se e mudar tudo a sua volta. É o momento de virada de mesa, reconquistar a si mesmo e aprender a se conhecer, a se administrar e acima de tudo ser o líder de si mesmo pois, na era do conhecimento o sucesso só chegará para aqueles estiverem no domínio de si mesmo.