Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Você está fazendo isso errado

Não é novidade que uma das partes mais difíceis do trabalho diário é o relacionamento e a convivência com as pessoas e suas consequentes idiossincrasias.  Dito isso, vamos falar da falta de bom senso alheia (quiçá nossa) e sobre como administrar esses probleminhas comportamentais. Compilei abaixo perfis de funcionários com os quais já convivi, assim como os relatados por amigas em bate-papos da vida pós-expediente. Hora da autocrítica, amiga. Incluindo a minha, é claro.

- O megafone (falar alto): use a mesma regra que vale para as bibliotecas: fale baixo. Pense que há pessoas lendo e estudando no mesmo ambiente que você ou, no caso das empresas, que há pessoas no telefone, trabalhando, precisando de concentração. Aqui estou incluindo desde as suas conversas com os colegas para descontrair (porque isso não é proibido, desde que na dose certa e no momento menos impróprio) até o ato de atender ao telefone e resolver a vida pessoal diante dos olhos e ouvidos dos colegas, como se não tivesse mais ninguém no mesmo lugar que você ou como se todos estivessem interessados na sua vida. Quando falo disso, lembro-me dos ônibus. Sempre vai ter aquela tia que fala no celular gritando ou os amigos que querem colocar todas as fofocas em dia e dão altas gargalhadas. Tudo bem ser feliz, mas vamos ter bom senso, afinal, há pessoas que só têm aqueles minutos do percurso do ônibus para estudar para uma prova da escola ou faculdade, ou até para ler um livro e relaxar. Custa falar mais baixinho ou colocar fones de ouvido para ouvir música, por exemplo?

- A matraca (conversar o tempo todo): saiba a hora de jogar conversa fora ou o tempo que isso pode ocupar na sua rotina de trabalho. Não dá para sair desconcentrando o colega e falando sem parar sem ao menos perguntar se ele está ocupado. Aproveite o intervalo, o cafezinho, a saída para o almoço, o encontro no corredor ou o happy hour da empresa para o bate-papo. Não seja a matraca da turma, até porque mulheres têm maior vocação para isso. Uma vez li uma frase que acho ótima e diz que “ambiente corporativo não é consultório sentimental”. Pois então, assino embaixo. Não acho uma boa ideia falar da vida pessoal no trabalho, por mais que seja inevitável às vezes. Vamos usar o trabalho para esquecer um pouco da vida pessoal e vamos usar a vida pessoal para esquecer um pouco do trabalho. Que tal? 

- O mala (interromper na hora errada): o corpo fala, certo? Seu colega está mega concentrado. O corpo dele está mostrando uma testa franzida, um olhar fixo no computador e mãos frenéticas digitando. O que isso quer dizer? Basicamente significa “Por favor, não me interrompa!” E o que você faz? Interrompe! Nessas horas, se não for algo urgente, você pode esperar um pouco, anotar para não esquecer e falar depois. Ou ainda, pode mandar um e-mail ou deixar um bilhetinho na mesa dele. Agora, é claro, que se for algo realmente importante você DEVE interromper.

- O padre (dar sermão): vamos tentar ser objetivas? Se tem uma coisa que me irrita e que me dá vontade de sair correndo é quando alguém começa a falar sem parar sobre algum tema que podia ser resolvido rapidinho. Imagine o seguinte cenário. A pauta está cheia, você tem 30 emails para responder, cinco telefonemas para dar e um relatório para entregar, fora a conversa que seu gestor quer ter com você. Nisso, sua colega chega e diz que gostaria de opinar sobre o trabalho x que você pediu para ela desenvolver. Aí ela fala que acredita que o projeto poderia abordar os aspectos yz que não foram solicitados, mas que ela acha pertinente porque leu num artigo que a nova metodologia de trabalho pode gerar tantos por cento de produtividade e que o Papa inclusive está usando, lero, lero, lero. Aí você pensa: “Será que ela não consegue falar isso numa frase?” Please, girl, o sermão deixa para o padre. Objetividade é lei nos tempos de hoje. Objetividade sim que é produtividade.

- O ranzinza (reclamar de tudo): lá vem aquela nuvem negra se aproximando. É chuva? Não, é apenas um colega pessimista. Sabemos que pessoas negativas sugam a energia de qualquer um. Quem vai se sentir motivado quando um colega só vê problema, pelo em ovo, o lado negativo, o “porém “ e etc e tal? Tem uma frase muito boa atribuída ao Freud que me faz refletir: “qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?” Reclame menos, faça mais. Aproveite o tempo que gastaria reclamando e seja produtiva. O resto você fala para o terapeuta ou direto para o seu chefe.

- O inconveniente (causar desconforto): você sabe identificar quando está sendo inconveniente? Há varias situações. Pode ser qualquer uma das listadas acima. Somam-se a elas o fato de você expor seu colega falando da sua vida pessoal, dando conselhos que ele não pediu ou fazendo piadinhas íntimas. Ou ainda quando você se mete em assuntos em que não foi chamada, faz perguntas indiscretas, é grosseira com os colegas, solta indiretas, escuta música sem colocar fone de ouvido, e por aí vai.

Resumo da ópera, ninguém é perfeito e certamente você e eu fazemos ao menos uma dessas coisas erradas. O ponto é: vamos nos policiar e tentar melhorar nossos pontos fracos para não nos tornarmos a insuportável do trabalho ou estamos tranquilos quanto a ser taxados com alguma das nossas piores características? Complexo de Gabriela – “Eu nasci assim, vou ser sempre assim...”? Não, obrigada!

P.S: Já reli o texto algumas vezes a fim de identificar meus próprios defeitos.