Cris escreve todas as sextas-feiras.
Eu e você, juntinhos

Às vezes me perguntam sobre a vida. Sobre o tempo. Sobre o que fazer e como fazer?

Às vezes me perguntam sobre o mar, sobre a praia e o sol, sobre a lua e as estrelas.

Às vezes me perguntam sobre mim, como estou indo, como elaborar os dias, como levo os meus dias.

Muitas vezes a escrita é uma conselheira e tanto. Pelo menos eu, quando escrevo, ajeito as gavetas. Funciona como uma poderosa faxina interna. No mínimo, algumas ideias vão pro lugar. Outras não. Daí eu sento e escrevo de novo.

Talvez seja por isso ou a partir disso que as pessoas acabam enxergando o escritor e o cronista, que está mais ligado ao cotidiano, com olhar diferenciado. Como se tivéssemos a capacidade de saber todas as respostas. Pois, estamos ali, dispostos, diariamente a ensaiar algumas palavras a respeito dos sentimentos, na tentativa de decifrar os entremeios que sustentam a realidade e que tornam a ilusão um tanto sedutora.

No final das contas, estamos todos no mesmo barco. Há aqueles que arrumam suas gavetas no banho, andando de carro ou de moto, no trânsito lento das grandes capitais, no alvorecer, no anoitecer. Ouvindo um jazz, surfando, correndo, lendo. Costurando, tecendo, limpando a casa, num café com as amigas.

Cada um a seu jeito e a sua maneira. Talvez a diferença fica por conta de que nós, que escrevemos, compartimos com o todo, nossos anseios, nossos medos, nossa história e na tentativa de encontrar alguma resposta, o leitor se debulha em páginas, em sites, em revistas, jornais, como uma fonte de energia que parte de outro igual, como um bálsamo, uma vitória ou até, um simples achado.

Por outro lado, quando conseguimos tocar o outro, no coração mesmo, quando a conexão se faz da forma que for, quando a troca acontece. nós é que nos abastecemos de alguma maneira. Sabe aquele lance de estender a mão, de dar um bom dia, um sorriso, um por favor e um simples obrigado mudar o dia de alguém? É isso mesmo. Se mudamos o dia de alguém. Este alguém muda o nosso também. É um namoro e tanto.

O que fica disso tudo? A gratidão. Nossos deuses interiores, saúdam-se. Namastê.