Cris escreve todas as sextas-feiras.
Você sabe quem você verdadeiramente é?

Você sabe de que forma suas atitudes interferem na sociedade? Você tem idéia do bem ou mal que pode estar fazendo aos outros? É simples. Avalie. É uma questão de consciência, não somente de si próprio, o que seria um tanto egoísta, mas de consciência de mundo. Eu diria até de solidariedade.

É aquele velho papo, se você quer fazer mal, faça a si mesmo, mas se esta ação está prejudicando tantas outras pessoas, pare e pense. Hoje vou desabafar sobre uma sociedade doente e que cobra das autoridades uma ação coerente contra o tráfico, mas ao mesmo tempo alimenta os bandidos.

É tanta prepotência que chega a ser irritante. Vou esclarecer. A questão da droga neste país (sim, vou me restringir ao Brasil, que é o meu país) é um tanto assustadora. Vamos começar do começo, é uma questão lógica e não estou me referindo aos dependentes químicos, pois estes são doentes físicos, estou me referindo àquela turminha que tem todo o acesso a informação, mas que estimula o consumo por inconseqüência, para fazer parte de um grupo ou simplesmente por prazer.

Existe um paralelo entre as drogas lícitas e ilícitas. Que fique claro que todas fazem mal, cigarro pode matar, bebida pode matar e o excesso é a pior escolha. A diferença é que as drogas lícitas chegam nas mãos do consumidor sem prejudicar aqueles responsáveis por ela desde a origem até o ponto de venda. Quem compra, faz mal a si mesmo e só. Claro, os carmas coletivos daqueles que produzem é outra história e neste momento não entrarei no mérito.

Já as drogas ilícitas para chegar nas mãos do consumidor final, passam por um caminho trágico e neste caminho vemos crianças de oito anos com metralhadoras em punho, meninos que viram traficantes, chefes do morro espalhando violência e desespero por toda a comunidade. São famílias destruídas pela droga. Ou você acha que aquele menino com a arma na mão não tem mãe? O morro ou favela são lugares onde moram muitas pessoas de bem, que têm um trabalho honesto, ganham pouco, mas têm dignidade. E por obra do destino são obrigadas a conviver diariamente em um cenário de horror.
Volta e meia nos deparamos com ações da polícia nos morros do Rio de Janeiro e em outras cidades. São centenas de famílias que, afetadas pela violência, pedem PAZ, a paz que temos muitas vezes dentro de nossos apartamentos ou casas, porque por mais violenta que seja a cidade em que moramos, não chegamos perto da realidade vivenciada no dia a dia dessas pessoas.

E o pior de tudo, é constatar que são nesses mesmos apartamentos e casas “seguros” que vivem os grandes responsáveis pela existência de todo este terror. O consumidor é co-responsável sim. E se por algum motivo, você que curti um fuminho de maconha, uma cheiradinha na cocaína, uma pedrinha de craque, acha que está impune diante de tanto sofrimento, você está enganado. Coloque a mão na consciência e não diga de forma ignorante: “maconha é natural e eu só faço mal a mim mesmo, não incomodo ninguém...” porque você incomoda sim. Todo o lixo que vem acoplado na droga que você usa, vai ficar em você, a dor daquela família, o som daquela metralhadora, o silêncio daquela vida que se acabou para que esta droga chegasse na sua mão. Chega de tanta hipocrisia. Não é possível que depois de tudo, você seja capaz de levantar uma bandeira de paz numa passeata qualquer pedindo por justiça pelas tantas mortes que o tráfico faz. Você também está  por traz daquela arma, com o dedo engatilhado.

E aí? Você sabe quem você verdadeiramente é?