Anik Suzuki: equilíbrio e aprendizado

Reconstrução após a saída de uma grande empresa e a realização de sonhos. E que sonhos. Em uma conversa super meiga, com uma super vista ao fundo, Anik Suzuki nos recebeu em seu escritório para contar sobre a sua trajetória profissional. Aos 39 anos, percebe a sua vida como uma virada de página de um novo capítulo. Lindo! Espia, só.

 

Negócio Feminino – Anik, tenta resumir um pouco a sua trajetória como executiva

Ani Suzuki – Comecei a trabalhar com 16 anos. Até me formar como jornalista tendo passado por jornais e revistas e atuado como assessora de imprensa. No Grupo RB, comecei como jornalista, até ser convidada a assumir a área institucional do Grupo. Isso lá em 2004. Para montar o início de uma assessoria de imprensa, que evoluiu para uma assessoria de comunicação, até se tornar em uma área bem institucional.

A área cresceu muito. Assim como as minhas responsabilidades, que passavam por eventos, assessoria, relacionamento, gestão de marca, imagem da marca, relatórios institucionais, etc. Chegamos a ter cerca de 30 pessoas na equipe. Nesta época fui promovida a Diretora Executiva, com o viés da comunicação.

Foram 12 anos de RBS.

NF – A tua saída não foi nada fácil, não é?
 

AS – Eu crio muitos vínculos. Sempre fui muito apaixonada pelo meu trabalho em todos os locais que passei. A minha saída sempre foi muito sofrida, isso porque as decisões que tomei foram baseadas no que seria melhor para a minha carreira. A gente tem que gerir a nossa carreira. Na RBS foi ainda mais sofrida porque trabalhava diretamente com a família, que me deu muitas oportunidades. Tive um grande salto. A minha vida é antes e depois da RBS. Sou muito grata a tudo.

NF – Então o que te motivou a sair da empresa?
 

AS – O que realmente me motivou foi achar que estava no teto. Estar com 38, 39 anos e achar que não havia muito mais o que crescer. Havia caminhos, mas não eram os que me deixariam plenamente realizada. Comecei a sentir vontade de fazer algo pela minha carreira, ainda antes dos 40. Temos ciclos, e eu acredito muito que devemos chegar aos 40, 45 anos no máximo sabendo que deixaremos um legado.

A minha maior preocupação é que a minha decisão fosse compreendida. E foi super tranquilo, sendo os nossos primeiros clientes. Sinal que tivemos uma linda trajetória e que no final sobrou o mais importante: uma relação de lealdade e gratidão. Isso me deu muita tranquilidade para começar o meu projeto.

Sempre me guiei pelas decisões mais difíceis. De olhar pra trás e pensar se não vou me arrepender não ter feito. Não tenho medo de recomeçar, nem de trabalhar muito. Sempre me sustentei, paguei meus estudos...
 

NF – Quando tu te desligaste da RBS, tinhas três projetos. Conta pra gente?
 

AS – Sim, um delas já nasceu, que é a ANK.  Estudei o mercado a fundo para definir o posicionamento da empresa. Queria algo discreto, porque sou discreta. Gosto de estar nos bastidores e de trabalhar com pessoas. Também fui atrás de algumas pessoas para serem minhas parceiras e lançar a empresa. Foi uma grande imersão até o lançamento da empresa no mercado.

Chegou dezembro rodando quatro clientes. Temos uma cláusula muito grande de confidencialidade, então não coloco aba de ciente no site. Estou bem feliz e bem acelerada. Confesso que n ao esperava tanto... sou intensa, não tem como ser diferente. Estou muito feliz.
 

NF – Hoje tu te sentes segura sobre a decisão que tomou?
 

AS – Sem dúvida. Quando saímos de uma grande empresa e somos reconhecidas por atuar nessa empresa, te dá um medo de sair e ficar minúscula. Graças a Deus isso não aconteceu. Sou recebida com carinho, lembram do meu trabalho, uma energia muito do bem, que me faz bem. É mentira quem diz que não tem medo, dúvidas e inseguranças.

A decisão do nome da empresa foi bem difícil. Queria pessoas que trabalhassem pra si, e não pra mim. Então, a decisão de colocar o meu nome foi bem difícil. Mas hoje vejo que isso não existe. Estudei varias marcas ate tomar essa decisão.

NF – E os outros dois projetos?
 

AS – Bem, uma deles é aumentar a família. Hoje tenho um enteado, que é filho do Telmo, de 10 anos. Brinco que é meu filho emprestado. Se tudo der certo, esse ano teremos um pimpolho ou uma pimpolha por ai.

O outro projeto é um livro. É um romance baseado na trajetória da minha vida materna, com espaço temporal de um século, que se mistura com a história do Rio Grande do Sul e Uruguai. Falarei sobre pessoas e sobre família, que na minha há historias peculiares e incríveis. É isso que quero retratar. Parei quando montei a ANK, porque é muito difícil quando tu não és escritora. Mas a minha mentora Leticia Wierzchowski está me ajudando muito. É um trabalho que precisarei de muito fôlego.

Estou com esses três filhos, a ANK, a minha família que vai crescer e o livro, que ficará para o próximo ano. Estou muito tranquila em relação a isso. Sei que o livro, neste momento, não é prioridade, embora vá acontecer. No momento certo.

 

Rapidinhas:

Quem é Anik: Uma pessoa em busca de equilíbrio e aprendizado. Uma palavra que me define é liberdade.

Uma referência: Meu pai

Um livro: Quando Nietzsche Chorou. Também preciso dizer Moça com Brinco de Pérola. Tem um terceiro que acho muito especial: De Verdade.

Um filme: Tudo pode dar certo

Uma frase: ‘São os passos que fazem o caminho’, última frase de um poema de Mário Quintana

Se fosse um animal, qual seria: um cachorro em homenagem à Hanna.

 

Imagem por Karina Kohl