Diferenças entre homens e mulheres no ambiente de trabalho

O Negócio Feminino foi buscar no mercado profissionais que lidam diariamente com as questões de gênero e as diferenças entre os homens e as mulheres. A redação do Portal ouviu o diretor de Recursos Humanos da TimacAgro, Ricardo Alves, e a especialista em Gestão de Pessoas e Recursos Humanos, Janaina Perez, para mostrar um pouco sobre o pensamento de cada um.

Negócio Feminino - Há cargos ocupados por mulheres que são culturalmente masculinos. Como tu avalias essa mudança?

Janaina Perez - Acredito que a entrada da mulher no mercado de trabalho vai além de uma sustentação familiar ou a busca por uma independência. A satisfação do bem estar pessoal e psicológico torna-se fundamental e são pontos fortes para essa conquista. Existe uma tendência direcionada para a diminuição de vínculos formais e tradicionais de emprego nas organizações, que fazem com que o gênero não seja de real importância para a ocupação de determinados cargos, anteriormente destinados apenas aos homens.
A participação feminina nas novas modalidades de trabalho é significativa, em especial, pelo surgimento do horário flexível – reflexo dessa mudança.

Ricardo Alves – Percebo que cada vez mais as mulheres estão  ocupando espaços em atividades que até então eram desempenhadas por homens. Mas, ainda notamos um certo “machismo” do mercado em funções de cunho operacional e industrial. Na parte de gestão estratégica das empresas, vemos a mesma situação, porém, com ótimas perspectivas de evolução. Aqui mesmo, em nossa empresa, presenciamos o crescimento exponencial de mulheres em funções estratégicas, mas falta muito ainda para essa cultura mudar de fato.

NF – Os salários continuam desparelhos? O que tens percebido nessa questão?

JP - Com a mudança do cenário moderno, houve uma considerável diminuição do hiato salarial entre homens e mulheres. Acredito que o que mais ocorre são homens ocupando melhores posições nas organizações por estarem há mais tempo no mercado, e, por isso, ganham uma remuneração maior. As crescentes transformações do mundo corporativo têm contribuído para o equilíbrio salarial de homens e mulheres que buscam recolocação no mercado.

RA - Vejo que, em relação ao processo remuneratório, a velocidade é bem maior. Não visualizo mais diferenças quando a mulher ocupa uma função que até então era de responsabilidade de um homem.

NF - As doenças ocupacionais têm preferência por homens ou mulheres? Quais as maiores queixas dos profissionais?

JP - A doença conhecida como LER (Lesão por Esforços Repetitivos) ou DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) representa, hoje, a principal doença ocupacional em homens e mulheres.
Acredito que, com o aumento da presença feminina no mercado de trabalho, ela tem trazido novos problemas para as mulheres, que, instaladas em funções mais monótonas, repetitivas e estressantes, são as maiores vítimas da LER, que consequentemente ficam em evidência.

RA - Acredito que não. No âmbito das doenças ocupacionais, os níveis de prevenção devem ser uma preocupação constante das empresas. Caso não seja, afetam, na mesma forma e intensidade, homens e mulheres. Os problemas ergonômicos estão cada vez mais no foco das reclamações.