Intercâmbio: do sonho à realidade

E hoje começa mais uma série, dessa vez sobre intercâmbio. Quem conta um pouco da experiência é a jornalista Gabriela Vieira Boesal. Para ela, sempre foi um sonho antigo, a única coisa que ela queria era viajar. E foi o que fez quando ganhou uma bolsa de estudos. Você também pode!


Negócio Feminino – Como foi a decisão de fazer Intercâmbio?
Gabriela Vieira Boesel – Esse sempre foi meu sonho. Desde cedo sempre almejei ter uma experiência no exterior. Por razões financeiras, não consegui ir logo, mas sempre tentava bolsas de estudos, ate o dia em que fui contemplada com uma. A ideia sempre foi tentar algum lugar cuja língua falada fosse inglês, mas me inscrevi para uma bolsa na Espanha, num programa da faculdade.

NF - Fizestes o ‘sanduíche’, certo? Conta um pouco como funcionou.
GVB - Fiz o sanduíche um semestre da faculdade numa Universidade espanhola. Devido à crise que estava se instalando na Europa naquele ano, poucas pessoas se inscreveram, o que aumentou minhas chances. Eram cinco vagas para toda a Universidade, de qualquer curso e tiveram só 12 inscritos. Lembro ate que eu fui a primeira a enviar a documentação. Um mês depois me ligaram para informar que eu tinha sido uma das contempladas. Foi a melhor noticia da minha vida. Como era sanduíche, eu precisei verificar com o coordenador do meu curso na Unisinos quais cadeiras eu poderia fazer na Espanha que substituiriam as daqui. Analisamos os dois currículos e escolhemos as disciplinas. Mandei mais uns documentos para a Unisinos e, a partir dai, meu contato passou a ser diretamente com a coordenação do curso de Comunicação da Universidade de Deusto, bem como acomodação, que era a cargo deles também. Fiquei um semestre lá, entre estudos e viagens.


NF - Quais as maiores dificuldades que enfrentou em um país diferente?
GVB -
Nos primeiros dias de aula foi um pouco complicado, pois por mais que eu tivesse conhecimento da língua espanhola, conviver com nativos é muito diferente. Foi complicado me inteirar do que era passado em sala de aula, pois os professores falavam num espanhol muito rápido e não mudaram o jeito de dar aula só por minha causa, o que acho certo, afinal eu tinha que me virar, né. Então corri atrás e passei a me concentrar mais, a prestar bastante atenção para não perder conteúdo. Em uma semana já estava bem acostumada. Outra questão é a cultura diferente deles, pois como estão acostumados a receber estrangeiros, eles não dão muita bola. No começo me relacionava apenas com os outros Erasmus (foram que os estudantes de fora são chamados lá na Europa). Mas como eu precisei fazer trabalhos em grupo na aula, passei a fazer amizades de lá também.

NF - O que tu trouxe de experiência?
GVB -
Uma bagagem enorme de conhecimento, lembranças inesquecíveis, amigos pra toda a vida e uma ótima noção de que o mundo é muito maior do que o nosso quarto. Foi uma experiência única e tenho certeza de que se eu fosse de novo, seria diferente, com novos conhecimentos e vivências.

NF - Que dicas tu dá para quem pensa em fazer algo semelhante?
GVB -
Todo mundo deveria ter uma vivência no exterior. Isso muda o caráter da pessoa e ajuda a construir uma consciência de coletividade que não se tem sem viajar. Quem tem essa vontade deve se jogar e ir sem medo. Ir com a certeza de que vai encontrar um mundo enorme cheio de oportunidades.

NF - Como foi lidar com a saudade de quem ficou no Brasil?
GVB -
Falava com minha família ao menos uma vez por semana por skype, o que amenizou um pouco a saudade. Mas eu estava na ânsia de viver o momento que mal pensava no que tinha ficado no Brasil. Isso também ajudou bastante porque não tinha tempo de sentir falta, ainda mais que tinha do meu lado meus pais e irmã que sabiam que eu estava realizando um sonho.

NF - De que forma contribuiu para a tua carreira?
GVB -
Na verdade, não tanto quanto eu achava que contribuiria. Todo mundo diz que essa experiência faz toda a diferença, mas quando eu cheguei no Brasil, nem estágio eu consegui de cara. Demorei uns dois meses para conseguir emprego. Só um tempo depois que eu consegui um emprego no qual eu fiz uso do meu conhecimento em espanhol, pois viajei bastante para a Argentina e fiz traduções também. Mas acredito que hoje tem tanta gente fazendo intercâmbio que deixou de ser um diferencial.