Menina mulher

Em um primeiro olhar, Fernanda Pandolfi parece uma menina. Talvez por sua delicadeza. Mas cinco minutos de papo são suficientes para perceber o furacão que a guria é. Mega focada, ela coloca todas as suas energias em seu mais novo projeto, que acaba de cair na web. O Ida e Volta já tem data para lançamento: hoje, segunda-feira, 15 de agosto de 2016.

Espia esse papo exclusivo com o Negócio Feminino.


Negócio Feminino: Tu ficou na Zero Hora por 6 anos, mas na coluna há 3?
Fernanda Pandolfi:
Isso. Na verdade, eu fiquei 5 anos na Coluna e 2 anos como assistente da Claudia e depois da Milena. Com a saída da Milena, eu estava como editora online da revista Donna e me chamaram para ficar de interina, daí eu acabei sendo promovida e fiquei por mais 3 anos.

NF: E depois desse tempo tu te desliga da empresa, que loucura foi essa?
FP: P
ensava isso há mais ou menos 1 ano. No final do ano passado, quando a Mari Kalil saiu do Donna, eu vi uma possibilidade de mudar de setor. Na verdade, eu não queria mais ficar na coluna. Estava muito puxado, por mais que algumas pessoas pensassem: “ah, só umas notinhas e tal”, mas não é. É uma questão de evento, das pautas, de tu teres material diário, de se fazer presente nos eventos... Nós somos o único setor do jornal que tem fotógrafo próprio e pauta todos os dias. Por exemplo, a Andreia (fotógrafa)  tem duas pautas por dia e é bem puxado pra ela.

NF: E porque esse interesse na Revista Donna?
FP:
Porque queria mudar.  Seria editora e mexeria mais com o texto, que é o que eu gosto de fazer. Eu estava um pouco insatisfeita com a minha posição, com a saída da Mari eu pensei: “tá aí a minha oportunidade”. Mas não rolou... Então fui ficando mais um pouco na coluna. Sempre gostei dela (coluna).

NF: Nesse momento, qual era o teu sentimento?
FP:
Eu sempre gostei da Coluna Rede Social, então pensei em tentar mais um pouco... Mas comecei a perceber que estava sem luz no fim do túnel. Todas as coisas que eu fazia fora da coluna eram coisas que eu gostava bem mais do que eu fazia na carteira. Pensei que era hora de dar uma virada. Percebi que o que gosto de fazer é escrever.

NF: Nesse momento, te deu um start?
FP:
Na hora lembrei das viagens e que sempre escrevia sobre cada uma. Nossa, o retorno era muito bacana! Sabia que as pessoas guardavam as páginas e comecei a pensar “quero escrever sobre viagem, mas não só sobre viagens, até porque eu não posso ficar o tempo todo viajando”.

NF: Surgia o Ida e Volta?
FP:
Eu fiz esse link do IDA e VOLTA.  Nada mais é do que escrever na IDA, e na VOLTA eu escrevo sobre Porto Alegre. Então é o destino, e Porto Alegre. São muitas coisas legais que acontecem por ai e que descobri com a coluna. Restaurante que abre, alguém que fazendo um projeto legal... isso era uma parte que me atraía na coluna. Personagens, perfis...

NF: Tu vais falar sobre o que acontece no turismo, isso?
FP:
Não é um blog ou um site, mas uma plataforma de turismo. As pessoas podem até se basear pelas minhas sugestões, opiniões, mas eu não vou dar dicas de onde comer e beber, por exeplo. Não, não é isso. São experiências. São pessoas que eu encontrar no meu caminho. Serão crônicas. Isso que é o legal de uma viagem. É isso, escrever livremente.

NF: O lançamento será em agosto, né?
FP:
Sim, a plataforma está sendo desenvolvida e deve entrar ainda em agosto. Ainda estamos fazendo alguns testes para poder colocar no ar tudo certinho.

NF: Como vai funcionar? Como se paga a conta? Tu planejou esse novo projeto? Como foi?
FP: E
u comecei a pensar nesse projeto em numa viagem à Praia do Rosa. Isso foi há um ano. Estava esperando meu amigo e colega jornalista para tomar café da manhã e disse: “tá aí uma coisa que eu gostaria de fazer, ficar viajando a lugares e escrever sobre eles”. Então, comecei a pensar nas estratégias. Fui conversar com agências de viagens e expor a minha ideia, até para verificar se teria aderência por parte do mercado. E todos deram resposta positiva! Então, como funciona: as agências e os hotéis são meus parceiros. Eles não me pagam para isso, mas eles vão assinar o material comigo. Por exemplo: se a dona da agência não comparecer a tal viagem, ela me envia e eu faço a cobertura pra ela. E produtos devem entrar comigo como anunciantes. Outro exemplo: uma farmácia – eu vou pra um destino de praia e levo um kit de protetor solar, maquiagens, etc. Tudo irá aparecer nos meus vídeos, porque eu vou trabalhar com vídeos e vai ser um dos meus fortes.

NF: Tu chegou a fazer um plano de trabalho, um planejamento estratégico, ou algo do tipo?
FP:
O negócio foi o seguinte: eu vou fazer o que eu gosto e depois eu vejo como eu ganho dinheiro com isso! As minhas redes sociais me deram bastante segurança. Eu não estava saindo assim, no mais... Eu desenvolvi as redes sociais nesse período. Hoje tenho mais de 20 mil seguidores orgânicos no meu Instagram, é uma troca muito grande.

NF: As tuas redes sociais foram um termômetro, então?
FP:
Sim, elas me deram uma certeza de que eu tinha algum carisma, independente da Rede Social da ZH. Muitas pessoas que me seguiam, mas não seguiam a Rede Social - ou nem associavam a Pandolfi com a Rede Social e vice-versa. As redes sociais, pra mim, foram um impulso. Por elas, vi que eu poderia fazer algumas coisas importantes e que não estava me jogando, eu tinha uma base que poderia funcionar economicamente de alguma forma.

NF: O Ida e Volta será uma plataforma. Conta pra gente como irá funcionar.
FP: Chamo de plataforma porque tem essa questão dos vídeos, redes sociais envolvida e possivelmente eu penso em fazer outros projetos. Daqui a pouco lançar uma marca de mochila para viagem, nécessaire, alguma coisa assim. Então, como eu penso em outras maneiras, não envolve só o texto, envolve experiências.

NF: Quais os maiores desafios que vais enfrentar?
FP:
Agora eu acho que é organizar uma rotina individual – sem horário de saída e chegada. Vou ter que me entender com o home Office. Isso vai ser um desafio nesse primeiro momento. Também estou descobrindo, aos poucos, o que funciona melhor num negócio e o que não funciona tão bem. Acho que o maior desafio é o descobrimento de tudo. Mas estou bem empolgada, bem feliz, porque a Rede Social foi cria minha, eu sempre tive esse feeling de criar, de ter ideias, de nomes. Então, acho que cada vez mais vão surgir nomes, ideias, parcerias.

NF: Estás realizada?
FP:
Acho que vai ser o projeto da minha vida. Pode ser que dure um ano, dois,  não sei, mas eu acho que será o projeto da minha vida.

NF: E como pretende lidar com a vida pessoal?
FP:
Acho que vai ser bem mais fácil. Porque eu falo que eu não tenho vida pessoal há três anos. Eu falo que vivi a vida pessoal dos outros. Eu vivia em eventos dos outros, vivia da roupa dos outros. Eu era sempre uma mosquinha no evento. As pessoas faziam muita questão que eu fosse, que eu estivesse ali, mas não pela minha companhia. Então, era um desgaste pra mim... Perdia eventos que eu teria com meus amigos ou com a minha família para estar trabalhando, mas naquela época eu fui muito feliz. Não tenho do que reclamar. A minha ideia é fazer uma viagem por mês até o final do ano. Isso significa que, a cada 30 dias, estarei fora 10. O meu objetivo era qualidade de vida. Um horário pra ir à academia, na psicóloga, um horário pra aula de francês, porque antes era uma loucura, ainda mais durante a semana.

NF: Como resumiria esse momento?
FP:
É  um momento de transformação e descobertas, as duas coisas estão ligadas. Porque as pessoas estão acostumadas a ver a Fernanda colunista da Rede Social, que foi como me conheceram. Agora, apresento uma nova versão. Que é uma versão mais humana, mais próxima, com uma realidade muito mais próxima de todo mundo, sem glamour. Claro que viajar é glamour, mas só de mudar alguma coisa na vida das pessoas, já é alguma coisa. 

NF: O que o trabalho representa pra ti?
FP:
Eu trabalho desde os 16 anos, eu dava aula de dança, sou bailarina. Dei aula por muito tempo. Pra mim sempre significou a extensão de alguma paixão minha. Optei por jornalismo porque eu gosto de escrever, gosto muito de ler, comunicação, conhecer pessoas e histórias. Novamente foi uma extensão de uma paixão. O trabalho eu poderia defender isso. Uma extensão de paixões que eu consigo transformar em dinheiro. Tem que ser realização, sem insatisfação. Não pode ser obrigação, não pode ser sinônimo de tristeza. A gente passa metade da vida trabalhando, que seja por algo que a gente goste.

Rapidinha:

Quem é Fernanda Pandolfi? Antes de tudo é bailarina, viajante, jornalista e muito apaixonada por escrever.

Uma frase? Jamais serás quem tu não és!

Uma referência? Eu gosto muito, como profissional, da Didi Wagner e do Nizan Guanaes, ele é um grande empresário, com grandes ideias, que modifica partes importantes em nosso país.Um livro ou um filme? Tem um livro que me motiva muito nesse momento que é Comer, Rezar & Amar e filme ele também.

Se fosse um animal, qual seria? Um pássaro, pela liberdade, para poder voar...

Que dica tu dá para quem pensa em empreender ou precisa tomar uma decisão difícil profissional ou pessoal? A gente precisa ser protagonista da nossa própria história e pra isso a gente precisa de coragem e ânimo para acabar com tudo que nos dá insatisfação. Coragem e ânimo são essenciais para qualquer projeto dar certo antes de tudo. Que é o que eu digo: “depois a gente pensa, depois a gente pensa como vai solucionar”. Mas quando a gente tem vontade, coragem e ânimo pra seguir em frente, só vai. 

 

Imagem por Júlio Cordeiro