Política levada a sério

 

Cada palavra colocada de forma muito acertada. Tranquilidade, ética e muito, muito profissionalismo são algumas qualidades da publichser Karim Miskulin da revista VOTO, uma publicação independente e gaúcha sobre politica. Nessa entrevista exclusiva ao Negócio Feminino, Karim fala de trabalho, política e família.


Negócio Feminino - Como surgiu a politica na tua vida profissional?

Karim Miskulin - Conheci a ciência política quando fazia faculdade de Direito e me apaixonei de tal forma pelo tema que acabei trocando de curso e me dedicando 100% ao tema.  Na faculdade tive a oportunidade de conhecer muita gente ligada ao mundo, o que me levou a estagiar na Assembleia Legislativa, local onde estreitei o relacionamento com o jornalismo. Lá, convivi com as principais lideranças políticas do Rio Grande do Sul e dei o pontapé inicial no projeto da VOTO Comunicação Aplicada à Política, empresa que tem como carro chefe a Revista VOTO e o projeto Brasil de Ideias (almoço mensal que há cinco anos acontece no Sheraton).

NF - O que ela (a política) representa pra ti?

KM - Aprendi muito com a política e, embora o tema seja identificado pela maioria como pesado e desagradável, só me trouxe alegria, amadurecimento e muita capacidade de superação. Ter a oportunidade de conhecer líderes mundiais como Bill Clinton e conviver com todos os ex-presidentes da República, desde Sarney até Michel Temer, e tê-los presentes nos nossos eventos, não tem preço.

A política é tudo pra mim e tenho convicção que só através dela poderemos alcançar o status de crescimentos social e econômico que almejamos. As pessoas precisam se dar conta de que praticamos a política diariamente em nossas vidas, elegendo prioridades, escolhendo caminhos que na maioria das vezes definem o nosso padrão ético e moral, nossa conduta de vida. É esta conduta que precisa ser qualificada para fazermos melhores escolhas, principalmente na política eleitoral.

NF - E o trabalho, já que tua dedicação é muito visível?

KM - Ser dona de um veículo de comunicação gera muita visibilidade e poder, mas ser dona de um veículo que fala sobre política, traz além disto muito responsabilidade e discrição. As pessoas não conseguem diferenciar a Publisher da Karim, e, por isto, tenho muito cuidado para tomar qualquer decisão que possa me expor. Sei que os clientes foram conquistados por confiar 100% no nosso trabalho e sei que qualquer passo mal dado reflete nos negócios. Penso nisso todos os dias, até na hora de me vestir. Antes eu era super arrojada e descontraída, hoje tenho dificuldade de descontrair os modelitos até no final de semana. Opto por um estilo mais clássico, sem perder a feminilidade, dando preferência para saias e vestidos coloridos, o que me diferencia dos ternos que me rodeiam.

NF - A revista Voto é bem conceituada no segmento politica, como tu te sentes sendo a responsável por essa publicação?

KM - Me sinto realizada por ter alcançado credibilidade em uma área delicada como esta e feliz pelo reconhecimento do veículo no mercado editorial nacional. Por outro lado, como o tema envolve acima de tudo poder, a responsabilidade é enorme e precisamos sistematicamente reduzir a zero a possibilidade de erro. É um trabalho de comprometimento diário com a verdade, o que me traz muita felicidade.
  
NF - Como especialista o que tu dirias sobre a politica dos nossos governantes?

KM - De uma forma geral, o Brasil vive um deserto de lideranças. O sistema político brasileiro massacrou a formação de novos líderes, e isto foi fomentado dentro dos próprios partidos políticos. A falta de liderança, de comando, especialmente da presidente Dilma Rousseff, gerou insegurança econômica e fomentou um pessimismo crônico na população brasileira. Esta sensação se amplificou nos Estados, onde a situação econômica é ainda mais caótica que a do Governo Federal.

Temos muitos governantes sérios e comprometidos - como penso ser o caso do governador Sartori - mas a realidade é que eles têm pouca margem para agir, para quebrar paradigmas e fazer o que tem que ser feito. Na verdade, todos nós somos culpados pelo país que temos hoje. Estamos pagando o preço pela nossa alienação política.

NF - Quais os maiores desafios que já enfrentou – e ainda enfrentará?

KM - Nossa! Os desafios são quase diários, mas, sem dúvida, o mais difícil deles foi consolidar a revista VOTO como um veículo independente. No início ouve muita especulação e até desconfiança de que a revista não era minha. Achavam que eu era uma “testa de ferro” de algum grande grupo de comunicação, de um empresário que não queria aparecer, ou de algum partido político. Como eu sou do interior e não era jornalista, isto dificultou as coisas no sentido de que as pessoas não me conheciam e me achavam nova demais, ousada demais, corajosa demais para estar tocando um projeto desses sem qualquer retaguarda.

O outro grande desafio foi comercial. Convencer anunciantes a apoiar um projeto novo que envolve pauta tão explosiva, não foi (e não é) fácil. Por isto até hoje o nosso maior desafio é conquistar a confiança das pessoas, sejam elas anunciantes, leitores ou palestrantes dos nossos eventos. No começo achei que seria impossível, mas depois que o Fernando Henrique Cardoso aceitou vir ao nosso aniversário de quatro anos em Porto Alegre, vi que tudo é uma questão de tempo e de persistência.

NF - Como administra o trabalho com a vida pessoal?

KM - Hoje estou muito disciplinada e consigo separar bem as duas coisas, dedicando tempo exclusivo e suficiente para cada uma delas. Consegui estabelecer meu escritório, casa e colégio das crianças num circuito de 2 km, o que me permite almoçar em casa quase todos os dias e não perder mais do que cinco minutos entre um trajeto e outro. Como viajo bastante, esta logística me possibilita otimizar o tempo quando estou em Porto Alegre.

Também aprendi a delegar e entendi que respeitar o meu momento de lazer é respeitar e valorizar a minha família. Sou bastante disciplinada na gestão do meu tempo e sigo à risca as planilhas de demandas diárias no sentido de não deixar nada pendente. Assim tenho conseguido equilibrar o tempo trabalhando bastante sem deixar de curtir a família, os amigos e cuidar de mim, o que é muito importante.

NF - Como é empreender no Brasil?

KM - É quase uma loucura. Sem dúvida trabalhamos três vezes mais que qualquer país para ganhar quase a mesma coisa. Temos um Estado que vê o empresário como bandido, um Estado que não nos ajuda, que não estimula o empreendedorismo, que faz questão de atrapalhar. É triste que o Brasil ainda tenha uma legislação trabalhista tão ultrapassada e uma carga tributária tão violenta.  Empreender é uma opção para fortes, para os movidos a desafios e para os que priorizam a impagável sensação de liberdade.

Rapidinhas:

Quem é Karim? Uma mulher movida a desafios e a alegria de viver. Uma empreendedora inquieta e sem limites para sonhar. Uma mãe e esposa apaixonada que adora curtir a casa.

Uma referência?

Empresarial: Dr. Jorge Gerdau

Na política: meu avô João Marques de Moraes

Na vida: meus pais Miguel e Iara

Uma frase? Não sabia que era impossível foi lá e fez

Um livro? O livro “A Revolução dos Bichos” é uma descoberta a cada leitura

Se fosse um animal, qual seria? Um cavalo