Questão de foco e disciplina

Para abrir a série especial de julho, o tema escolhido é para os apaixonados. Não, o Negócio Feminino não está atrasado no Dia dos Namorados, trata-se do assunto dessa semana: Vida de Casal. Afinal, por mais apaixonados que possam ser ou estar, ninguém deve deixar de cuidar dos negócios e da vida profissional.

Eles se conheceram no ambiente profissional e se apaixonaram. Depois de um tempo, cada um seguiu em trabalhos diferentes, mas ainda como um casal. Não demorou muito para voltarem a trabalhar na mesma empresa mais uma vez. Lisiane de Abreu e Rodrigo Firmiano estão de casamento marcado, cheios de planos, sonhos e metas - e ter que se ver diariamente dentro ou fora do ambiente profissional não é, definitivamente, um problema para eles.

Negócio Feminino: Vocês são noivos e trabalham na mesma empresa. Contem para nós como é essa situação?

Rodrigo Firmiano: Nos conhecemos trabalhando juntos, há 11 anos, então, tornou-se normal, tranquilo. Virou parte da nossa rotina e tem sido bom, nunca foi um problema.

Lisiane de Abreu: Chegamos a nos separar de trabalho, cada um foi para um emprego diferente, mas há cerca de dois anos e meio voltamos a trabalhar juntos. Tornou-se habitual mesmo!

NF: A Lisiane já trabalhava na atual empresa quando o Rodrigo entrou para o quadro de funcionários. Como foi a decisão de encarar o desafio?

RF: Entrei pensando mais nas oportunidades profissionais e acadêmicas do que qualquer outra coisa. Trabalhar juntos, para nós, virou parte da rotina.

LA: Realmente, a decisão foi avaliada pelas oportunidades profissionais, pois trabalhar juntos já não era mais um problema. O fato de sermos um casal não foi um fator determinante nesta decisão.

NF: O que mais se ouve é que não se pode levar trabalho para casa, nem a casa para o trabalho. É possível? Como é isso para vocês?

RF: Às vezes, torna-se inevitável não discutir sobre o trabalho em casa, o que pode ficar cansativo. Mas, na maioria das vezes, é tranquilo e conseguimos manter um equilíbrio e encarar com leveza.

LA: É inevitável mesmo, mas isso ocorre, principalmente, quando saímos de um dia muito pesado. Tentamos evitar ao máximo longas conversas sobre os assuntos profissionais.  É possível, sim, separar as coisas. Temos uma vida cheia de sonhos e projetos lá fora, graças a Deus, temos muitos assuntos diferentes. Da porta pra dentro, não sei qual é a receita, mas conseguimos separar com naturalidade. 

NF: Atuar em setores tão diferentes ajuda na convivência?

RF: Acho que sim! É um facilitador. Mesmo na oportunidade anterior, era em setores diferentes e, certamente, isso contribui positivamente.

LA: Acho que descobri qual é a receita (risos)! Se trabalhássemos no mesmo setor não sei como seria, acho que, de fato, correríamos o risco de saturar. Chegamos juntos, mas, muitas vezes, só nos vemos no final da tarde, tamanha a correria. Falamos por e-mail ou nos ligamos para almoçar. São rotinas diferentes, problemas diferentes. Então, sim, trabalhar em setores diferentes ajuda muito na convivência.

NF: Qual o segredo para não “saturarem” um da presença do outro?

RF: Não sei se tem um segredo, pois para cada pessoa deve ser diferente. Se tem algo que torna nossa vida pessoal e profissional menos dura, é a maneira leve que tentamos encarar as coisas, sejam os problemas pessoais ou profissionais. Quem nos conhece sabe, o bom humor e a positividade, que tentamos sempre deixar presente no nosso dia-a-dia, tornam a vida mais fácil. E no mais, não existem regras!

LA: Acredito que, no nosso caso especificamente, se deva ao fato de que nos conhecemos assim, trabalhando juntos. Outro ponto importante são nossos setores diferentes. Mas o principal é a vida fora da empresa. Quando se tem objetivos e uma vida que se quer construir juntos, fica fácil desviar a atenção de coisas e sentimentos que não agregariam na nossa relação. Sabemos porque estamos aqui e o que queremos “do e com” o nosso trabalho, então, a rotina tem que ser obrigatoriamente agradável.

NF: Existe algum tipo de preconceito no ambiente profissional com o fato de serem um casal? Já enfrentaram algo semelhante?

RF: Acho que devem existir comentários, porém isso nunca afetou diretamente a nenhum de nós. Nunca enfrentei preconceitos. Se enfrentei, não percebi o que estava acontecendo.

LA: Sabe que não? No outro local onde trabalhávamos juntos, começamos o namoro. Então, foi tranquilo. Atualmente, eu até já tive essa preocupação, mas separamos tão bem as coisas e agimos tão naturalmente como colegas, que nunca enfrentamos nenhuma hostilidade. Somos muitos discretos, disciplinados e focados nas nossas responsabilidades na instituição. Ao mesmo tempo em que não acredito que vez ou outra a vida pessoal não se separa da profissional, é a disciplina e a nossa postura que faz com que deixemos claro que nossa relação de noivos não se mistura.