Mãe, me dá dinheiro?

‘Mãe, me dá dinheiro?’. Quantas vezes você já escutou essa frase de seu filho adolescente. Várias, não é mesmo. Ou porque ele não tem mesada, ou porque não durou os 30 dias do mês. Ai, o coração e a razão começam uma disputa entre si até a decisão de dar ou não o extra. Se perguntares para a psicóloga infantil, Bárbara Morais, a resposta é simples – ao menos para ela. “É importante que a criança saiba o valor do seu rendimento”, explica ela, salientando que isso deve ser feito em qualquer idade. Mas e a resposta? Bem, se resume em uma palavra de poucas letras: negociação.

Para Bárbara, é preciso haver uma valorização. A criança ou o adolescente precisam ter consciência de que, caso gastarem além do que ganham, vai faltar no próximo mês. Sobre a resposta, a psicóloga infantil é bem objetiva. “Sim, mas vou descontar na tua mesada no próximo mês”. Ele vai reclamar, esperniar, ficar de beiço, te achar uma péssima mãe, mas será um adulto mais consciente sobre despesas pessoais. Mas Bárbara alerta: “É preciso cumprir a promessa para não perder a credibilidade e respeito com o seu filho”. Isso significa que no pagamento seguinte, é preciso fazer o desconto referente ao adiantamento.

Não é nada fácil, a gente sabe. Por isso, fomos conversar com a Paula Dias, que exerce uma metodologia semelhante com a sua filha de 14 anos. Ok, cada idade reflete de uma forma. Mas no caso dela funciona bem. “Dei para a Melissa um cartão de crédito com um limite baixo, mas todos os meses ela sabe exatamente o que gastou e o que ainda tem para gastar”, conta ela, mas revela que no início ela estourou o limite na primeira semana. A mãe, que é empresária, lembra que optou por esse formato para que a filha tivesse real noção do dinheiro. “Com isso ela consegue avaliar se realmente necessidade daquilo”, conta animada. E promete: “Ano que vem vou aumentar o limite dela”.

Barbara concorda que os pais devem orientar os filhos e que, para isso, na maioria das vezes, é necessário que eles cometam erros. “Somente aprendemos quando sentimos na pele”, compara ela, enfatizado que já é difícil para adultos, imagina para os jovens.

Gustavo Martins já tem dificuldade para lidar com o assunto com o seu filho de sete anos. “Aonde vamos ele pede figurinha, balas e brinquedos. Como não sei dizer não, dou tudo o que ele pede”, revela o educador físico. “Crianças de menor idade o papo é outro, mas é possível explicar e dizer não que ela entenderá”, explica a psicóloga infantil que atua na área há 13 anos.

A dica da Bárbara é a seguinte. “Fique na altura do seu filho e olhe no olhinho dele. Explique que ontem você já comprou o brinquedo x e que hoje o valor máximo é y”, orienta. Outra regra que pode ser aplicada é oferecer uma mesadinha, especificando 20 reais semanais, por exemplo. “É importante ensinar a criança, mesmo que gradativamente, o valor das coisas. Desde a bala que ele pede no supermercado, até aquele brinquedo que ele espera ganhar no dia do aniversário”.

Lidar com essa situação é um aprendizado muito maior para os pais. O importante é passar por essa fase com um resultado positivo – tanto na atitude como nas finanças. O importante é que agora você já sabe a resposta daquela perguntinha ‘básica’. “Sim, mas vamos negociar”.