Equidade no centro do debate do poder feminino


I Fórum VOTO - A Mulher e o Poder reuniu lideranças de diversos mercados para falar sobre o lugar da mulher no universo corporativo, empresarial e público

Na tarde de ontem, 30 de março, o auditório da IMED Porto Alegre recebeu mulheres empoderadas para o I Fórum VOTO - A Mulher e o Poder. A provocação da publisher da Revista VOTO, Karim Miskulin, tinha o objetivo de debater, ao lado de lideranças, as questões que envolvem a reafirmação da mulher e o poder na sociedade. Os relatos sobre competência, capacidade intelectual e multitarefas, a importância de exercitar e se colocar no lugar da próxima, fortalecendo uma rede de apoio entre mulheres – a chamada sororidade –, se mostram como questões fundamentais para a ocupação dos espaços femininos por direito.

“Onde há propósito, há um caminho”, assim abriu a presidente da Parceiros Voluntários, Maria Elena Johannpeter. O poder, tratado como consequência do aumento do número de mulheres em cargos de liderança, ainda é subjugado pelas diferenças entre os gêneros. A mulher como agente do desenvolvimento social e econômico é uma realidade em expansão, mas ainda uma luta necessária. Para isso, o Carrefour assinou o compromisso He for She, da ONU, na luta pela igualdade de gêneros.

“Valorizamos a diversidade e a ampliação no foco de atuação. E isso é bom para o negócio. Ter mulheres ocupando mais de 30% das posições de liderança gera 6% a mais de lucro líquido. Para isso, precisamos reter e desenvolver”, explica a CEO do Banco Carrefour, Paula Cardoso. Afinal, a representatividade importa. “A liderança pautada em minorias nos faz ter que provar o tempo todo a nossa competência. Por isso a importância do diálogo, da solidariedade e nos firmarmos nesses âmbitos”, defende a executiva do Comitê de Diversidade e Inclusão da Microsoft, Lisiane Lemos.

O evento trouxe a discussão sobre as diversas situações pelos quais as mulheres ainda passam, a fim de estimular o papel delas no universo corporativo e a importância das contribuições ao desenvolvimento político, econômico e social das cidades. Estimulando o empreendedorismo e a alta capacidade de liderança inerente às mulheres, os painéis foram construídos de forma a apresentarem exemplos nas mais diversas áreas, compartilhando lições de liderança, como o protagonismo de Simone Leite, primeira presidente da Federasul, e Paula Mascarenhas, prefeita de Pelotas. Mulheres à frente de cargos continuamente masculinos em um Estado conhecido por maioria masculina em cargos representativos.

Patrícia Audi, Secretária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República, falou sobre a capacidade transformadora que dá o poder à mulher. “O preconceito velado é muito mais presente do que o machismo declarado. Para irmos em frente, não podemos fingir que não existe. Temos que falar, encarar e acreditar em nós mesmas, no nosso poder e na nossa capacidade, intelectual e emocional”, defendeu Patrícia.

O encontro foi encerrado com as participantes deixando claro que o apoio mútuo entre as próprias mulheres, assim como a base da educação sem divisão entre os gêneros, irão criar uma sociedade mais igualitária, com os mesmo direitos às lideranças e protagonismos de ambos os sexos. “Há um renascimento do feminismo nas escolas. E isso trouxe a discussão para dentro de casa, com minhas duas filhas e meu marido. Ele está acessando informações novas sobre a igualdade de gênero”, explicou a presidente-executiva do Instituto Palavra Aberta e membro do Conselho Social e Comunicação do Congresso Nacional (CCS), Patrícia Blanco.

Patrícia, junto às painelistas Marcia Capellari, mestre em Educação e coordenadora do Congresso Internacional de Empreendedorismo, Inovação e Tecnologia da IMED, Leila Palombini, Diretora Nacional da Mary Kay, e a advogada Yaskara Goltz, debateu a “Comunicação e o Impacto das Redes na Opinião Pública e no Mercado”. E falou ainda sobre as novas dimensões das discussões no espaço digital, a liberdade de expressão e o poder da conversa, da troca que dá voz às minorias. “Ampliamos o espaço para o debate e esse fato nos deu conhecimento ao discurso de ódio. E isso não pode mais ser ignorado”. Karim Miskulin concluiu agradecendo a tarde inspiradora e reafirmou a necessidade de encontros que inspiram e fortalecem.

 

Imagem por André Feltes