Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Quanto tempo você tem por dia para ser criativo e inovador?

Vivemos em tempos de grandes mudanças. Falando especificamente do mundo dos negócios, estamos diante de um cenário de competitividade no qual ganha aquele que mostra mais criatividade, inovação e qualidade em seus produtos e serviços. E para atender a essas expectativas é preciso de tempo para pensar! Mas como estar à frente nesses quesitos quando a rotina atribulada das empresas nem sempre permite esse momento de reflexão, estudo e troca de ideias? Essa impossibilidade se dá devido à quantidade de tarefas operacionais que tomam todo e qualquer tempo livre, que deveria ser dedicado ao simples ato de pensar. Viramos robôs. E isso é grave, pois sem tempo para raciocinar, e assim ser criativo e inovador, as empresas e suas pessoas estão fadadas à obsolescência.

Em primeiro lugar, é preciso que haja tempo suficiente para dar conta de todas as demandas e questões diárias, mantendo atenção aos detalhes. Ou seja, não adianta tentar vencer o tempo, pois ele é vingativo. Se você tentar atropelá-lo, ele vai mostrar que é ele quem manda. Você vai cometer erros bobos, que podem gerar problemas graves, esquecer compromissos e responsabilidades que você assumiu, e não vai dar a devida importância ao que merece. O Ministério do Trabalho Bem Feito adverte: falta de tempo causa o cancelamento de reuniões importantes, ligações não realizadas, emails não enviados, conversas com colegas adiadas e feedbacks deixados em último plano.

Dito isso, constatamos que estamos diante de um impasse: queremos propor novidades, mas não temos tempo para pensar nelas. Uma empresa não pode exigir dos colaboradores essa visão empreendedora ou vender esse valor externamente se não propicia em seu ambiente o tempo para que isso ocorra. O tempo não é tão fácil de explicar, pois não é possível mensurar a quantidade de imprevistos e o quanto do seu dia eles vão tomar, assim como não é possível mensurar as horas que serão gastas para a execução de trabalhos que exigem criatividade e que não são feitos por máquinas em uma fábrica. Mas é fácil saber que ele está faltando e que está comprometendo produtividade, criatividade, qualidade e, principalmente, motivação dos profissionais.

Ah, os imprevistos. Sempre haverá um colega precisando da sua ajuda. Um convite para participar de uma reunião de última hora. Um novo projeto, que entra na pauta sem aviso prévio. Um problema a ser resolvido imediatamente. Uma ligação na hora errada. Um cancelamento de reunião. Uma redefinição de pauta e de prioridades. Tudo em caráter de urgência. Imprevistos acontecem toda hora, mas eles nunca são levados em consideração. Imprevistos deveriam ser os mais previstos.

Pois bem, agora sabemos que o ambiente é determinante para incentivar a imaginação e a originalidade. Se lá no início já entendemos que o mercado está sempre mudando e que, justamente por isso, a criatividade e a inovação são as chances que as empresas têm para se renovar e ganhar ou reconquistar seu espaço, será que não está na hora delas repensarem a estratégia que estão usando internamente? Sabemos que uma empresa criativa só se faz com pessoas criativas. Será que essas pessoas já não foram contratadas e estão só esperando o momento para mostrarem todo talento que têm? As empresas precisam entender que suas pessoas devem se sentir valorizadas e ouvidas para se sentirem motivadas. Elas querem gerar um sentido no seu trabalho e, para isso, não adianta serem robôs que apenas executam. Somos seres pensantes. Queremos tempo para pensar e criar. Queremos tempo para mostrar o nosso melhor.