Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Vampiros emocionais: eles querem seu sangue

Há uma frase com várias possibilidades de interpretação que gosto muito: “O inferno são os outros”, de Sartre. É com ela que começo este texto sobre pessoas tóxicas ou vampiros emocionais, como as chamam alguns psicólogos. Pessoas que, inconscientemente ou não, são capazes de roubar a energia, a alegria e o otimismo de quem está ao seu redor, criando uma fadiga emocional, stress e negatividade. Pessoas que estão em todos os âmbitos (família, amigos, etc.) e que especificamente no trabalho acabam com a motivação de um funcionário e, consequentemente, prejudicam o negócio. Afinal, ao afetarem o desempenho de um dos empregados, afetam a produtividade e a qualidade de uma esfera do negócio.

Uma das mais fortes sensações de impotência é sentir que você está no lugar certo com as pessoas erradas, ou seja, que está fazendo o que sabe, fazendo bem, mas cercada de profissionais que não caminham ao seu lado ou, muitas vezes, caminham atrás, colocando o pé para ver se você tropeça. Já sabemos de cor e salteado que nem todo mundo é igual, e assim como isso pode ser bom para criar trocas de ideias e soluções inovadoras, também pode ser ruim, pois a falta de afinidade pode prejudicar na execução de um trabalho. Assim sendo, concluímos de antemão que as relações interpessoais podem representar um desafio desgastante, ainda mais quando é preciso lidar com pessoas do estilo sanguessuga.

O vampiro emocional geralmente é uma pessoa cínica, que costuma ser inteligente e bem humorada, mas, ao mesmo tempo, conforme o minidicionário Larousse, "é uma pessoa descarada, alguém que não tem senso de respeito”. Se eu pudesse dar um conselho a você que convive com pessoas desse tipo, eu diria: “Nunca bata de frente com um cínico, pois o que você falar será usado contra você na primeira oportunidade. Isso porque uma pessoa cínica é capaz de distorcer uma fala e um acontecimento a seu bel prazer”. Digo “se eu pudesse”, porque infelizmente não tenho moral para dar esse conselho, pois ainda não aprendi a fechar a matraca para me preservar.

A consequência da minha língua solta é que frequentemente sou mal interpretada simplesmente por ser transparente, direta e objetiva, o que em vez de ser visto como uma postura profissional tende a ser visto como uma falta de sensibilidade (não li o manual de como ser adepta do mimimi). Burra eu por ser assim, não é à toa que o mundo está dominado por cínicos.

Li em alguma matéria na internet que existem alguns estilos de comportamentos difíceis mais comuns no ambiente de trabalho. Lembro de alguns como: o dono da verdade, o dissimulado e o reclamão. Penso eu que, lamentavelmente, o cínico pode ser 3 em 1 e ter essas três características. Lendo artigos e falando com psicólogos, aprendi que normalmente os comportamentos difíceis aparecem como forma de defesa em situações nas quais a pessoa se sente ameaçada. Se tem inveja, ciúme ou raiva, ela age na defensiva, sendo resistente e negativa. Napoleão Bonaparte afirmou que a inveja constitui uma declaração de inferioridade. Entretanto, o invejoso pode ser um inimigo muito perigoso, decidido a destruir quem alcançou o que ele almejava.

Para esse tipo de pessoa, as coisas devem ser feitas do jeito dela, o que a torna inflexível. Não é raro vê-la defendendo suas ideias com um apego maternal exagerado e contraproducente. Quando confrontada, é reativa e até agressiva. Outra forma de autodefesa é por meio das críticas depreciativas aos colegas, afinal, ela precisa provar que está certa enquanto o outro está errado. É inconveniente, para não dizer mal educada, interferindo sempre sem ser chamada. É praticamente um ser onipresente. É egoísta, afinal, não tem intenção honesta de ajudar o outro e sim de mostrar o quanto é solidária. É adepta do ‘não’ que vem antes do ‘sim’. Seu grande talento é reclamar de tudo para não precisar mudar, afinal, é o seu jeito que está correto, lembra? Como toda boa adepta do ‘não’, é pessimista, e sempre acha que nada vai dar certo.

Resumidamente, são pessoas que parecem sentir prazer em dificultar a vida dos outros. Seu objetivo final é esgotar a paciência alheia. Conviver com esses vampiros constitui um pesadelo e até o ser mais equilibrado e boa-praça sai de si cavando sua própria cova, mesmo sendo inocente. Sendo assim, se você não tem sangue de barata, cuidado, porque você é presa fácil.

Como incentivo, depois de tudo isso, ao som de Cidade Negra, eu vos convoco a enfrentar: “Pois se eles querem meu sangue, verão o meu sangue só no fim”.