Especial Saúde no Trabalho
Doença de filho também afasta mulheres do trabalho

Se as mães pudessem tirar as doenças dos filhos com as próprias mãos, não há dúvidas, fariam. Se tivessem o poder de sentir qualquer mínimo sinal de dor no lugar deles, também. E isso não muda quando a mãe é também dona de casa, esposa, amiga e profissional. Nesse último caso, há muitas situações de mulheres que precisam se ausentar dos seus trabalhos em função de doença, acidente ou até um pequeno mal estar dos filhos, mas isso nem sempre é compreendido – por gestores ou até colegas.

Infelizmente, a legislação brasileira não prevê o direito de afastamento laboral por conta de doença de filho, nem em situações de internação hospitalar, por incrível que pareça. Portanto, o empregador não é obrigado a permitir que o colaborador falte, muito menos remunerá-lo no tempo de ausência do trabalho. “Às vezes dá a sensação de que eles acham que tu poderias mandar alguém no teu lugar”, pondera Laurita Pacheco, de 37 anos, mãe de uma menina de 14. Muitas vezes, ela precisou faltar, sair correndo, ficar controlando se o telefone tocaria, tudo para estar a postos assim que Júlia precisasse.

Ela recorda as diversas situações que enfrentou com a filha, especialmente quando ligavam da escola. “A angústia que sentimos até ver a criança independe do tipo de ligação que recebemos. Até que consigamos ter a certeza do que realmente está acontecendo é um sentimento muito ruim e isso nos faz esquecer o trabalho na mesma hora”, explica Laurita. Segundo ela, isso afesta diretamente o rendimento profissional: “O que eu não fizer hoje, vai ficar para amanhã e vai acabar acumulando. No fim, vou ter que trabalhar mais horas para colocar em dia as demandas, mas faz parte”.

No opinião da consultora em Recursos Humanos, Lídia Camparini, essa é uma situação em que se enquadra a máxima “cada caso é um caso”, pois as posturas dos gestures pode variar de acordo com a política da empresa, com a relação da colaboradora com a chefia, entre outros aspectos. “É importante sempre manter a responsabilidade. Na maioria das vezes, as empresas são sensíveis a estas situações, mas não custa a mãe tentar sempre compensar o tempo de afastamento. E isso nem sempre tem a ver com a carga horária, mas com demandas”, ensina.

A empresária Aline Canto é mãe de gêmeos, o que exige dedicação dobrada. Ela entende que por ser dona do negócio tem mais flexibilidade com seus horários, além de contar a ajuda de duas babás, o que facilita quando as crianças adoecem. Por outro lado, como gestora de um negócio, tem mais facilidade de entender a mesma situação das colaboradoras. “Na minha empresa, todos tem passe livre para resolver suas coisas, quando é preciso. Não tenho regime de ‘bater ponto’, não desconto as horas faltantes, pois quando preciso eles estarão prontos à ajudar”, resume.

O que diz a lei?

Conforme o artigo 473 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o o período em que o empregado tem direito de se afastar do trabalho sem ter desconto no salário são:

- Falecimento do cônjuge, ascendente (pais e avós), descendente (filhos, netos e etc), irmão ou pessoa que viva sob sua dependência econômica, declarada em sua carteira de trabalho e previdência social – até dois dias consecutivos.

- Casamento, com até três duas consecutivos.

- Licença paternidade de até cinco dias, no decorrer da primeira semana.

- Licença maternidade, que pode chegar a seis meses.

- Doança de sangue devidamente comprovada, tendo folga de um dia por ano.

- Alistamento como eleitor (mesário, fiscal, etc), com dois dias, que podem ser consecutivos ou não.

- Serviço Militar.

- Prestar prova para ingresso em instituição de ensino superior – apenas no (s) dia (s) dos exames.

- Comparecimento em juízo para audiência – pelo tempo que se fizer necessário.

- Representação de entidade sindical, em reunião oficial de organismo internacional do qual o Brasil seja membro – pelo tempo que se fizer necessário.

- Motivo de saúde: licença remunerada de até 15 dias por motivo de doença.