Especial Saúde no Trabalho
Doença não é frescura

As mulheres são a maioria da população brasileira, estão cada vez mais presentes no mercado de trabalho e são responsáveis por sustentar 37,3% das famílias. Os dados não são nossos, mas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, divulgada pelo IBGE. Elas ainda acordam cedo e dormem tarde, trabalham de seis a oito horas e, ao encerrar o expediente, têm filhos, marido, irmãos e muitas tarefas domésticas para desempenhar. Nossa, que correria!

Nos últimos dez anos, os vínculos empregatícios cresceram 79%, mas, em compensação, a concessão de auxílio-doença aumentou 172%, apontou o levantamento feito pelo Ministério da Previdência Social. E, não é à toa que elas estão mais vulneráveis a doenças agravadas, principalmente, pelo emprego. O motivo para afastamento dos profissionais é distinto entre os gêneros.

Enquanto os homens estão mais suscetíveis às doenças traumáticas, as mulheres têm problemas relacionadas à coluna. Há quase 30 anos vivenciando essas realidades, a especialista em enfermagem do trabalho no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, Maria Angélica Kerber, evidencia que estas profissionais não interrompem em definitivo as tarefas. “Elas se afastam do trabalho, mas em casa continuam normalmente com as atividades, como limpeza e até mesmo pegar os filhos no colo”, salienta a enfermeira.

Patrícia Lapuente de Almeida, 23 anos, universitária, sente dores nas costas desde a época em que estudava para o vestibular, e piorou ao começar a estagiar. “Elas são muito fortes e se intensificam quando fico sentada muito tempo em frente ao computador”, conta ela. A fisioterapeuta, Gabriela Ramires de Oliveira, garante que cuidar a postura diariamente evita esses sintomas. “É importante ter uma boa ergonomia de trabalho, com cadeira e mesa na altura adequadas, além de manter o computador na distância certa”, recomenda. 

As doenças femininas também atrapalham diariamente o desempenho, e muitos chefes não compreendem. Além de ter cólica menstrual e TPM, a jornalista, Janaína Marques, 21 anos, tem endometriose. Já ouviu falar? É bem sério, isso porque a parte interna do útero cresce e descama a cada ciclo menstrual, mas no caso da Janaína, este revestimento se estabelece em outros órgãos, como os ovários e intestinos, e gera cólicas insuportáveis. Pronto, suficiente para atrapalhar toda a rotina da profissional.

Quando as crises eram mais fortes, Janaína solicitava para sair mais cedo, mas ouvia dos supervisores que estaria liberada somente após concluir a demanda. Ou pior: que deveria continuar de casa. “Evito falar no meu trabalho, porque minhas chefes mulheres também têm cólica e acham que a minha é parecida com a delas. Não entendem que endometriose é incapacitante”, destacou a jornalista.

Muitas mulheres se identificam com esses problemas no ambiente corporativo, ou passam por outras situações. É importante não deixar para depois, sempre conversar com os superiores e procurar o médico.