Especial Saúde no Trabalho
Manter a calma e a cabeça em ordem

Como temos falado durante essa semana, a palavra demissão sempre gera sentimentos confusos e uma certa tensão. Como reagir quando se é desligado de uma empresa quando menos se espera? Como se preparar para pedir esse desligamento quando se sabe que o gestor é quem não espera?

Essas são situações que nem todo mundo sabe como agir no momento em que elas acontecem. A angústia é inevitável em qualquer um dos cenários descritos acima, mas é melhor todos se prepararem para isso, pois elas podem surgir e nunca se sabe se essa explosão de sentimentos não se transformará em um grande terremoto.

Conforme a psicóloga Maria Cristina Cavalcanti, muitas pessoas se abalam em função de uma realidade concreta, como medo de não conseguir outro emprego num curto prazo e as decorrentes dificuldades financeiras que isso pode acarretar. “Também acontece de passar pela cabeça a baixa do padrão de vida, perda de patrimônio, ‘nome sujo’, e etc, o que pode trazer muita ansiedade”, explica ela.

A especialista diz também que ser demitido, mesmo que naquelas situações em que a pessoa já espera que vá acontecer, pode evocar ainda sentimentos de rejeição e incapacidade, desvalia e baixa autoestima, podendo desenvolver quadros depressivos. Pode parecer exagero, mas não é. Aceitar as regras do “jogo” e saber que esse risco precisa ser corrido nem sempre é fácil.

Engana-se quem pensa que essa tensão só ocorre quando se é demitido. Em casos de ter que “pedir para sair”, a tensão pode ser tão ou maior do que a primeira situação. Segundo Maria Cristina, todo o ato que implica uma escolha é passivel de arrependimento e, portanto, há riscos, sim. “Imagino que quanto maior for a avaliação do risco, maior segurança na escolha e, consequentemente, o medo e a tensão tendem a reduzir”, reflete, alertando em seguida que uma decisão tomada por impulso, no calor de uma situação emergente ou sem a devida reflexão, gera medo e insegurança que podem, inclusive, aparecer como dificuldades na próxima oportunidade de trabalho.

Algo interessante a ser pensado também é como agir depois que essas coisas acontecem. Sair em busca de outro emprego no dia seguinte do fato pode ser perigoso e precipitado. Por mais preocupado que se possa estar, especialmente com as finanças, é importante respirar um pouco antes de caçar uma nova oportunidade.

Em uma entrevista à revista Época, o consultor e especialista em mercado de trabalho Max Gehringer disse o seguinte: “Se você foi demitido ou dispensado de seu emprego e está se sentindo acabado, sem forças, sem vontade de conversar, sem rumo. Cuidado. Você pode estar sofrendo da síndrome pós-demissão, expressão usada unicamente por mim.” O que acontece nesses casos É um conflito de sensações ruins, inclusive a de fracasso e tristeza após anos de sucesso. Na verdade, o que deve haver é um equilíbrio, como em tudo na vida.

Para Maria Cristina, em qualquer dessas situações a primeira coisa a ser feita é procurar manter a calma para não cair na tentação de se ater a julgamentos, condenações ou à vitimização. Nesses casos, a parte boa são críticas que possam impulsionar e motivar a pessoa a seguir em frente. “É sempre importante fazer uma boa autoavaliação, buscando reconhecer suas capacidades e em quais aspectos é necessário melhorar. Além disso, buscar a retomada da carreira não deve demorar para não dar lugar ao desânimo e aos sentimentos de desqualificação, que sempre tendem a produzir inércia”, afirma, completando: “Sabe-se que as chances de recolocação diminuem na medida em que o tempo vai passando”.