Especial Saúde no Trabalho
Não precisa ser trágico, mas é acidente

Ninguém quer passar por isso, mas é só conversar com algumas pessoas em volta que percebemos quantas já enfrentaram algum acidente de trabalho. E, ao contrário do que muitos pensam, isso não é apenas algo ligado a tragédias e eventos grandiosos. Então, é bom conceituar: de acordo com o artigo 19 da Lei nº 8.213/91 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), “é o que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa ou pelo exercício do trabalho dos segurados, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho".

Bem, dito isso, é importante traduzir que acidente pode ser algo físico, durante o horário de expediente ou a caminho dele, ou emocional. Sendo necessário o afastamento do profissional, então, é mais configurado ainda. Quando era propagandista, Patrícia Castro também teve que “sair de cena”. Em suas atividades diárias, carregava uma pasta que pesava nove quilos, mas não tinha estrutura óssea para tanto. Resultado? “Entortou minha coluna e eu tive escoliose. Fiquei afastada do trabalho e, mais do que isso, não podia me mover da cama. Isso tem mais de 10 anos, mas sofro dores até hoje, inclusive no ciático, tudo resultado de um acidente de trabalho que veio aos poucos”, conta ela.

No caso da administradora Bruna Rizzo, quando atuava em uma instutição financeira, nada houve com seu corpo, mas com sua mente. “Quando percebi que havia algo errado, procurei ajuda. Me tratei com psiquiatra e descobri a Síndrome do Pânico, que me afastou do trabalho por sete meses”, lembra. Infelizmente, nem todos os empregadores dão a devida importância a esses perigos e muitas vezes fazem a famosa “vista grossa”. Segundo Bruna, por exmeplo, a empresa sabia dos seus problemas, mas nunca a orientou a procurar ajuda médica.

A jornalista Bárbara Miszewski também teve uma experiência que pode parecer boba e “pouco dramática” como ela mesma diz, mas que a fez ficar afastada das atividades profisisonais por três meses. No caminho do trabalho, ela foi descer do ônibus quando torceu o pé e quebrou o dedo mínimo. “Nunca dei tanto valor a ele”, brinca.

O fato é que alguns cuidados precisam ser tomados e o empregador também deve ser comprensivo e atencioso em situações como essas. Afinal, é melhor fazer isso do que correr o risco de ficar sem o colaborador por algum tempo, tendo perdas financeiras e em rendimento das demandas. Aliás, é importante lembrar que não seria razoável acreditar que o empregado tivesse a intenção de provocar o acidente, sob pena de ficar incapacitado ou até mesmo inválido, em casos mais graves.

Estatísticas

Desde 2003, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) adotou 28 de abril como Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho. E isso não é apenas para bonito, mas para conscientização de muitos, já que os números são preocupantes.

Recentemente, o o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério do Planejamento, IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) e com a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), realizou uma pesquisa sobre os dados referentes a acidentes do trabalho no Brasil.

Algumas conclusões interessantes:

- O maior índice de acidentalidade foi de 36,4% registrado no Sudeste e o menor foi de 8,7% no Centro Oeste;

- Homens são a maior parte das vítimas, somando 70,5% dos casos;

- A faixa etária dos que mais se acidentam é a de jovens de 18 a 29 anos;

- Os acidentes de trajeto apresentaram o altíssimo índice de 1,4 milhões até hoje;

- A principal causa dos acidentes é a falta de prevenção e de conscientização das partes: estado, empresas, sindicatos e funcionários