Fernanda Rosito escreve nas segundas-feiras.
A forca salvadora

 

Semana passada foi a segunda aplicação de quimioterapia. Nas duas, a sensação foi a mesma: de que estava indo para uma forca. Uma forca que me salvaria, mas uma forca.

Tinha medo, muito medo do que sentiria. Quais seriam os efeitos colaterais que meu corpo produziria. Como meu corpo reagiria a mais uma “cacetada” de medicamento.

Já foram duas aplicações do primeiro ciclo. O pior de todos. A vermelha. Essa é pra dar um basta no câncer e fazer pará-lo. Essa é a culpada pelas piores reações. E ela é a culpada pela queda dos cabelos. Das sobrancelhas. Dos cílios. Sim. Eles também darão um tempo. E já percebo algumas falhas nas sobrancelhas...

Engraçado (sim...) que isso tem ficado em segundo plano. Não que já não me abale, pelo contrário. Mas depois do susto (puta, que susto) que tomei semana passada, esse ponto ficou um pouco mais brando...

Enfim... já não há mais tanta importância... afinal, como escuto até hoje, cabelos crescem. O susto foi grande. Pela primeira vez na VIDA, senti medo de morrer. Meu marido me encontrou desmaiada. Suava frio. Fui pro hospital, literalmente, carregada.

Tive uma reação da quimio bem forte. Meu intestino parou e a dor foi insuportável. A ponto de meu corpo pedir socorro.

E difícil explicar em palavras o que aconteceu. Difícil lembrar, também. Mas passou. E serviu para repensar. SEMPRE é momento para refleti e mudar.

Em cada quimio tive sensações diferentes. O que tive na primeira, não tive na segunda. E vice-versa. Ou, em times mais leves.

Dia 10 faço a terceira aplicação. O medo aumentou. A sensação de ir para a forca continua. E está mais forte... não faço ideia do que irá acontecer, de como meu organismo irá reagir. Que sensações meu corpo produzirá. Tenho medo. Mas, ao mesmo tempo, coragem para enfrentá-lo.

Irei novamente pra forca. Pra minha forca salvadora. Que me levará ao chão e ao céu.