Fernanda Rosito escreve nas segundas-feiras.
Paixão por livros e cappuccinos

Sou de Porto. Sempre fui. Quando me casei, me mudei pra Novo Hamburgo com a promessa de retornar em três. Já estou na região há dois anos.

Confesso que no início estranhei bastante. Não via tantos parques e praças. Não via engarrafamento. Não via pessoas nas ruas. Não como via em Porto Alegre. Sábados, domingos e feriados sempre tem uma galerinha passeando. Em NH, não. Domingo as ruas estão desertas. Um gato pingado ou outro. Os estabelecimentos estão fechados. Sábado à noite, idem. De madrugada, então... nem se fala...

Isso tudo me dava uma grande estranheza. Um certo vazio em ver tudo vazio. O que aquelas pessoas faziam? Onde elas estavam? Porto deve está lotada! Pensamentos assim rondavam minha cabeça.

Mas como o ser humano tem uma grande capacidade de se adaptar, me acostumei. Até porque, circulo no eixo NH – POA/Poa – NH. O corre-corre dá lugar à calmaria. E vice-versa. E passei a gostar disso. E muito. Tanto é que os planos de regresso mudaram. Não existem mais. Finquei bandeira na cidade colonizada por alemães. Já percebo suas qualidades. Já gosto de ver o asfalto das ruas livre de carros.

Agora, tem uma coisa que não me convenço. Por aqui, não há uma livraria bacana. Recheada de livros e com aquela cafeteria. Só pra gente pegar pilhas e pilhas de editoriais e, enquanto toma aquele cappuccino, define se vai levar todos ou quase todos.

Empreendedores, por favor! Ajudem uma jornalista a cultivar sua paixão por livros. E por cappuccino.