Fernanda Rosito escreve nas segundas-feiras.
As pedras do caminho

Quantas pedras você já carregou para chegar até aqui? Várias, não é mesmo? E ninguém tem conhecimento disso, pelo contrário, as pessoas te julgam pela aparência que tens hoje. Seja boa, seja ruim. Sim, não te sinta a última bolachinha do pacote por isso, eu vivencio muitas situações semelhantes. Pois saiba que todas as dificuldades que já enfrentou, fez com que você se tornasse quem é. E tenho certeza, a mais absoluta certeza, que é exatamente por isso que a guerreira que há dentro de ti nunca vai permitir se abater pelas pedras que ainda vais levantar.

Sabe, andei pensando nessas coisas ontem, quando precisei subir uma lomba. Era bem íngreme. Confesso que tomei um sufoco, mas cheguei até o topo. Com perdão da rima, eu não teria outra opção mesmo: era ir, ou ir. Subir, ou subir. Caminhar, ou caminhar. Sem escolha. Apenas a de respirar fundo e mexer as pernocas. Procurar a sombra para driblar o sol que esquentava o asfalto e me fazia suar. Ao longe, eu avistava o termômetro marcando 31 graus.

Enquanto eu dava um passo após o outro, essa reflexão me veio à tona. Subir uma lomba, muitas vezes, pode ser comparado aos desafios que enfrentamos no nosso dia a dia profissional. Quantas vezes você precisou encarar um desafio no seu trabalho. Sei lá, alguma demanda que o seu chefe pediu e você não tinha ideia por onde começar. Ou aquele relatório interminável que a sua gestora cobrou, pois estava atrasado. Aquela decisão difícil, mas necessária. Alas, já falei sobre essas decisões...

Não esqueça que as ‘pedras’ também estão relacionadas às questões pessoais. Trocar o carro ou adquirir o apartamento novo. Sair das casas dos pais e ter o seu canto próprio. Casar ou separar. Ter ou não o primeiro, segundo ou o terceiro filho. Trocar de emprego. Trocar de cidade em função do emprego.

Atraso no salário, atraso da prestação, do aluguel, da escola do filho, da faculdade. O preço do leite que subiu no supermercado. A carne que está o ‘olho da cara’. O feijão que acabou. O pão que é de ontem. A ginástica para dar conta de todas as contas. A ginástica para fazer render o salário durante 30 dias, que insiste em acabar no dia cinco.

Somos todas iguais. Todas mulheres. Batalhadoras. E que correm atrás do mesmo objetivo: felicidade. Com ou sem pedra para carregar, ninguém é melhor que ninguém. Não por muito tempo ou a todo o momento.

Pensa nisso, tá?

Um beijo,

Malu