Gabriel escreve todas as primeiras terças-feiras do mês.
Quem queremos ser?

O que você, ainda, quer ser quando crescer? Não entendo porque, quando crescemos em idade, deixamos de fazer esta pergunta. Refletir sobre o ‘quem queremos’ ser é algo atemporal. Não existe momento certo ou errado para fazer. Simplesmente fazemos porque estamos vivos.

Não proponho uma reflexão sobre o que queremos ter e, sim, em que tipo de pessoa ainda temos vontade de nos tornar. Cada um deve encontrar dentro de si esta resposta, mas é importante não deixar de perguntar. Exatamente como eu, você provavelmente não se tornou exatamente aquilo que sonhava na sua infância. A vida tomou alguns rumos diferentes e, talvez, quem sabe, outras coisas aconteceram como nos sonhos. Mas não é isto o que mais importa. O mais relevante é o movimento, o dinamismo. A vida é mutante, e feliz é aquele que sabe conviver com esta realidade da natureza.

Certas pessoas têm medo de mudança. Eu, particularmente, tenho medo das pessoas nunca mudarem. Isto é muito mais triste, pois não permite que ela usufrua de tantas belezas e encantos que a vida pode propiciar. Algumas pessoas confundem isto com levar uma vida onde podemos fazer tudo o que queremos, quando na verdade é simplesmente desenvolver a capacidade de querer o que estamos fazendo. É permitir mudar para continuar tendo satisfação.

Certa vez, ouvi uma frase da minha Coach que chamou minha atenção e gravei em minha memória: “Não é que eu seja mais velha, eu apenas sou criança há mais tempo.” Fantástico. Eu acredito que sábio é aquele que envelhece apenas para dar mais tempo de vida para a sua criança interna. Criança este que é livre, e mantém sempre ativa a pergunta deste artigo. Porém, passamos a vida em busca da tal felicidade e esquecendo que pequenas e simples experiências do cotidiano é que nos dão a real satisfação e felicidade na vida.

Muitos clientes passam muito tempo reclamando que outras pessoas não colaboram para a sua mudança. Não são mais felizes porque o marido não permitiu, ou o filho não colaborou, ou porque a empresa que trabalha não permite, ou ainda porque são vítimas de um destino infeliz. Esta é uma das coisas mais absurdas que posso escutar durante um trabalho de Coaching. Como pode ser reféns de uma vida infeliz? Como pode os outros ter tamanho poder sobre a nossa felicidade?

Novamente, quero deixar claro que nunca acreditei que ser feliz fosse algo fácil. É sim muito trabalhoso, mas só depende de cada um de nós para que possamos usufruir desta dádiva que a vida nos permite. Alguns clientes que estão acima dos 40 anos de idade geralmente me comentam que sentem vergonha por não terem claro o que ainda querem da vida, e o que ainda dá sentido para o tempo restante. Me chama atenção o fato de que parece existir uma crença social de que uma vida planejada é a garantia para uma vida feliz. Posso dizer, por experiência, que as vivências mais felizes da minha vida não estavam totalmente planejadas. A vida é dinâmica e mudamos o tempo todo.

O processo inicial de qualquer mudança deve sempre estar na resposta de quem, de fato, queremos ser. O trabalho de coaching é muito voltado para a ação, para o dinamismo. E não abro mão desta etapa do trabalho, pois acredito que é somente na ação que a vida realmente se transforma. Porém, não costumo sugerir nenhum plano de ação a ninguém, não antes estiver claro para que pessoa ainda quer ser. Esta é a base. Acreditar que é possível nos tornarmos uma pessoa diferente naquilo que hoje nos incomoda.

Ser feliz é díficil e dá trabalho. Mas é simples e possível.