Igor escreve todas as primeiras quartas-feiras do mês.
Por vezes

Por vezes, o tema finanças se torna cansativo de ser abordado e nos coloca diante de uma decisão importante. Como é chato ter que fazer conta para decidir se é melhor consumir agora ou guardar o dinheiro para investir em um futuro mais seguro e próspero. E quem garante que esse futuro irá existir ou se será próspero? Se eu não comprar agora, guardar o dinheiro e o banco quebrar, vou ficar sem o produto e também sem o dinheiro. Ou, então, se o governo confiscar minha poupança de longo prazo, como fez há alguns anos na Argentina, tudo será em vão. E mais, com o juro tão baixo dá um desânimo ver meu esforço sendo recompensado com apenas 0,87% ao mês!

Pronto, a decisão está tomada, vamos consumir. Sabe a parte boa? Não precisamos ficar com a consciência pesada, você é importante para a economia. Pouco mais de 2/3 da riqueza do País é gerada via consumo das famílias. Se você parar de consumir, a economia não anda. O problema nessa discussão é outro, e está ligado a fatores como planejamento desse consumo de acordo com a renda e o momento certo para fazer essa escolha. É simples. Você não usa o cartão de crédito pensando em acumular milhas e, com isso, "ganhar" uma passagem? Então, já está no caminho certo.

Agora, o ponto delicado: consegue adiar a compra de um produto que está em promoção? A concorrência nesse caso é desleal. Do outro lado há diversos profissionais muito bem treinados para criar publicidade que nos induz a essa compra. Eles passam horas estudando o seu comportamento para poder fazer o desenho do cartaz, a música que irá tocar na loja e o produto na vitrine que irão realmente seduzir. Mas, você nunca teve a sensação de que as lojas estão sempre em promoção? É assim que funciona, sai uma , entra outra. Basta trocar os termos: "50% off" por "sale", ou "em promoção" por "liquidação de inverno", e por aí vai.

Já parou para pensar qual é a melhor data para se comprar uma televisão, um sapato ou uma roupa? Acredita mesmo que o preço de todos os produtos se mantém constante durante o ano e só nas datas de "liquidação" que ficam mais baratos? Você não precisa ir todos os meses para frente das lojas e coletar o preço do que deseja comprar para depois de um ano decidir sobre a melhor data. Tem quem faça isso para nós e, felizmente, há ferramentas que podem nos auxiliar na definição do melhor momento dessa aquisição.

Esse é um dos assuntos que pretendo abordar nessa coluna. Finanças e economia não se resumem a números e gráficos chatos. Podemos extrair o melhor dessa ciência para economizar enquanto consumimos e, ainda, ter o melhor retorno possível do investimento pagando o menos possível de imposto. E nada mais sensato que discutirmos sobre isso às vésperas de um período onde a palavra de ordem é consumo – principalmente porque estamos diante de um cenário diferente do que se viveu na última década.