Aprender é o seu maior prazer

Ela ingressou na Universidade Feevale como professora em 2000. Com uma vasta experiência na área da educação, passou por diversas funções na Instituição,  entre elas, a de pró-reitora de Ensino, cargo que desempenhou de 2005 até o final do ano passado. Inajara Vargas Ramos ocupa, hoje, a principal posição de um gestor numa instituição de Ensino Superior, a de reitora.  Mestre e doutora em Educação, Inajara é Reitora da Feevale, em Novo Hamburgo. Ela conta um pouco da sua rotina para o NF, confira.

NF - Como foi o desafio de assumir a reitoria da Feevale?

Inajara Vargas Ramos - Foi um desafio encarado com muita tranquilidade e senso de realidade, considerando o quanto de responsabilidade e importância é estar à frente de uma universidade com as características da Feevale, uma instituição altamente comprometida com a comunidade do seu entorno e que busca respostas que impliquem em qualidade, inovação e possibilidades de desenvolvimento. O projeto dessa nova gestão que se iniciou pressupõe uma postura de corresponsabilidade em grandes projetos que possibilitem o aceleramento do crescimento e o incremento da qualidade das ações e propostas que vão sendo gestadas.

NF - E agora, pouco mais de seis meses como reitora, quais os desafios diários?

IVR - Propiciar as condições para que uma instituição universitária cuja marca é a pluralidade, cumpra seu papel educativo e social lastreada em princípios convergentes e comuns é, sem dúvidas, o ponto que promoverá a diferença entre a grandeza e a pequenês. Concluímos uma gestão que se propôs ser imprescindível à sociedade e iniciamos outra que vislumbra o avanço pela excelência acadêmica, onde temas como a internacionalização, a qualidade da formação, a inovação e o empreendedorismo ganham força e destaque.

NF - O que mais te faz acreditar no futuro?

IVR- A capacidade transformadora que há na educação, minha genuína escolha de atuação profissional. Paulo Freire, grande educador brasileiro, primeiramente reconhecido no cenário internacional (por mais absurdo que isso possa parecer) já nos dizia que se a educação não transforma a sociedade, tão pouco ela se transforma sem educação, ou seja, inexiste condição de mudança que não passe pela educação, pelo ensino e pela aprendizagem, e é essa a condição de crença no futuro.

NF- Como educadora, como avalia o ensino no Brasil?

IVR- O ensino, não só no Brasil, mas em qualquer parte do globo terrestre, só terá qualidade e cumprirá sua função quando for a prioridade número um do Estado. Ser um projeto sério de nação a ser oferecido ao seu povo requer investimento financeiro, vontade política e conhecimento de causa, enquanto isso não estiver bem orquestrado sofreremos as consequências de sua falta o que, na minha visão, aumentará a desesperança e a perspectiva de desenvolvimento.

NF - O que o trabalho representa pra ti?

IVR - A possibilidade de me reinventar e acordar a cada dia um ser humano melhor. Os tempos atuais imprimiram ao trabalho uma relevância na condição humana que por vezes chega a beirar as raias da loucura: em alguns segmentos há pessoas que simplesmente têm no trabalho a sua vida, não conseguem parar, não se permitem o ócio, atitudes que sabemos não contribuírem para a qualidade de vida, tão pouco à qualidade do trabalho. Todos os excessos devem ser objetos de nossa atenção, daí a possibilidade de ver nas diferentes atividades que transversalizam a nossa existência possibilidades de potencializar nossa essência humana.

NF - A vida pessoal, está bem administrada?

IVR - Está. Se ela não estivesse a Universidade também não estaria. Explico: como humano que somos, não ligamos e desligamos uma chave ao entrar ou sair do trabalho, da mesma forma que não o fazemos ao sair e voltar para casa. Nossos papeis sociais não são estanques e a vida é dinâmica e requer organização para que atenda aos propósitos de um bem viver.

NF - Tens planos? Quais são eles?

IVR - Muitos. O principal é ver meus filhos felizes, saudáveis e realizados tanto quanto eu tenho o privilégio de ser.

NF - Que conselhos tu dá aos jovens que almejam uma carreira competitiva, ou que pretendem empreender?

IVR - Penso que um bom começo é compreender que para correr foi preciso segurar a cabeça, ficar em pé, engatinhar e caminhar. Ninguém pode e sabe tudo, tão pouco há soluções mágicas e instantâneas. Para vencer é preciso inteligência, conhecimento, sabedoria e, acima de tudo, perseverança e caráter.

Rapidinhas:

Quem é Inajara? Uma pessoa que tem prazer em aprender.

Um ídolo? Admiro algumas pessoas, mas ídolos??? Algo a pensar...

Uma frase? É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.

Um sonho? Ainda poder dizer: Eu moro em um país referência em educação, saúde e segurança.