Rica em aprendizado e evolução

À frente da Anzetutto há sete anos, Bruna é pura delicadeza, beleza e simpatia. Ela conta um pouco sobre o surgimento da marca na sua vida e como administra seu tempo em meio a uma ponte área, típica de uma aquariana que adora liberdade. Confere a entrevista exclusiva dessa empresária para o NF.

Negócio Feminino: Como surgiu a Anzetutto na tua vida?

Bruna Paese: Na verdade, a Anzetutto existe na minha vida há 20 anos.  Eu morava em Barcelona e meu pai estava sempre pela Europa e Estados Unidos fazendo as pesquisas de tendências de moda, até que ele disse: “Ah, temos uma indústria, porque não ter uma própria loja da marca?”. Com essa ideia eu voltei para o Brasil e abri a nossa primeira loja, a da Teixeira Mendes, que já tem sete anos.

NF: Como foi este desafio para ti?

BP: Eu adorei. Se não existisse essa proposta de negócio eu não teria voltado para o Brasil. Foi ótimo, algo que me prendeu aqui. Claro, foi uma coisa que eu gostava também, eu adoro moda. Na época em que morei em Barcelona, fiz alguns cursos de moda. Não relacionado diretamente a sapato, mas em geral. Me senti segura e tranquila para encarar. Claro, tem todo desafio de ter que dar certo, mas não estava sozinha nessa, estava com a minha família. 

NF: Tu foste para estudar Administração?

BP: Não, eu fui para Barcelona com outra proposta e lá resolvi fazer o curso. Fiquei três anos por lá.

NF: Até o teu pai te trazer de volta?

BP: Exatamente. Na marra, mas não tinha como recusar. Até porque eu tinha subemprego por não ter cidadania italiana (só fiz quando voltei). Então, claro que aceitei entrar no negócio de família.

NF: Então, há sete anos tu estas à frente da marca Anzetutto. Chegou com uma loja e abriu mais duas. Como tem sido essa missão?

BP: Eu adoro desafios e amei a proposta, mas claro que a responsabilidade pesou. Até porque, eu tinha 21. Mas foi super bom, eu cresci muito, evolui como pessoa. A loja de Porto Alegre estava dando certo e daí, como São Paulo era o estado em que a fábrica mais vendia, abrimos uma lá também há quatro anos. É um pouco menor que a matriz, mas está super bem.

NF: E como administrar uma loja em Porto Alegre e outra em São Paulo?

BP: Eu passo uma semana por mês em São Paulo. Mas é tudo via conexão remoto. Eu faço tudo por aqui. Lá eles só têm a missão de receber o produto e vender. Tudo é feito pela web. Vou uma vez por mês para treinamentos, motivação, reuniões e, digamos assim, resolver os pepinos. E, em Novo Hamburgo, o meu irmão, como trabalha na fábrica, ele dá o pulo diário para resolver qualquer coisa, mas outras questões é comigo: marketing, assessoria, divulgação da loja.

NF: Tu cuidas da parte administrativa?

BP: Administrativa, compras, marketing e comunicação.

NF: E como fica a tua vida pessoal com esse triângulo Porto Alegre, São Paulo e Novo Hamburgo?

BP: Não tem como separar muito. Até porque quando a gente está em casa, quando eu ainda morava com meus pais, não tinha essa separação. Chegava e continuava falando de trabalho. É uma vida bem corrida, quem me conhece sabe bem. Mas é bem como eu expliquei: uma vez por semana eu vou até Novo Hamburgo, uma semana por mês estou em São Paulo e o restante do tempo estou em Porto Alegre. Hoje eu vou treinar porque eu sou toda torta da minha coluna. Preciso fazer um treino funcional duas vezes por semana. Confesso que agora está mais tranquilo, já foi pior quando eu estudava.

NF: Essa correria faz parte de ti?

BP: Faz parte. Eu acabo gostando, acho que não me adaptaria a uma rotina, tudo bonitinho. Às vezes cansa, confesso. Ainda mais agora que eu estou mais na ponte aérea em Florianópolis...

NF: Vai abrir uma loja lá?

BP: Estou pensando porque arrumei um namorado que mora lá.

NF: Tu de Porto Alegre, ele de Florianópolis, se conheceram de que forma?

BP: Trabalhando em São Paulo, pois ele também atua com calçado. Ai eu fico nessa ponte aérea, sabe. Mas confesso que eu gosto, faz parte de mim.

NF: Se fosse aquela vida ‘sair de casa, escritório, horário comercial ‘...

BP: Não ia. Não digo que não ia, mas que eu tenho autonomia na minha agenda. Assim como eu trabalho em domingo, eu posso escolher não trabalhar em um segunda-feira.

NF: Se colocar na balança, o saldo é positivo?

BP: Com certeza. Tudo tem um lado bom e ruim. A única coisa que eu vejo é que um funcionário tira férias por um mês e desconecta, não pensa em nada. Eu não tenho mais isso. Nas minhas viagens eu fico o tempo inteiro conectada nos e-mails, sempre dando uma olhadinha, vendo o relatório de vendas.

NF: Sempre com um olho no negócio...

BP: Exatamente. Por isso que é tão boa todas essas coisas de web, celular, tudo interligado. Assim tu consegues ficar conectado lá no outro lado do mundo.

NF: O que tu dirias, se tu olhasses para trás, da Bruna de sete anos e da Bruna de hoje?

BP: Uma Bruna, com certeza, muito mais madura. Aconteceu uma evolução muito grande. Foi muito bom para o meu aprendizado. Estou com 28, comecei super cedo. Eu sempre falava que com 30 eu já queria estar rica e milionária e não vou estar, mas estarei, com certeza, rica de aprendizado e evolução.

NF: E o que tu esperas para os próximos sete anos para a tua vida profissional?

BP: Profissional, quero, com certeza, abrir mais algumas lojas. Claro que hoje eu tenho esse negócio que meu pai começou como fabricante. Então, por exemplo, ele tem um supercliente no Rio de Janeiro. Eu não vou estragar essa parceria de anos e ir lá abrir uma loja. Ele tem essa praça. A gente viraria concorrente. Então, eu vou buscar praças onde ele ainda não tem esses parceiros. Quem sabe em Florianópolis...

NF: Um pouco sobre ti, quem é a Bruna?

BP: Quem eu realmente sou? Eu me considero uma pessoa alegre, alto-astral. Um pouco sem paciência, mas estou trabalhando isso em mim. Até porque trabalho com muitos funcionários e a maioria são mulheres. Adoro um desafio, coisas diferentes. Essa função de abrir uma loja dá um trabalho grande, mas gosto. É o que eu falo, mesmo com correrias, eu gosto.

Rapidinhas:

Uma frase? Você é o resultado das suas escolhas.
Um filme? O Diabo Veste Prada
Uma dica? Positividade